RICHARD CARSON/AGÊNCIA PETROBRÁS
RICHARD CARSON/AGÊNCIA PETROBRÁS

Petrobrás coloca à venda refinaria de Pasadena e subsidiária na África

Estopim da Operação Lava Jato, refinaria instalada no Texas custou US$ 1,2 bilhão à estatal, pagos à Astra Oil, que havia adquirido o ativo meses antes por US$ 42,5 milhões

Fernanda Nunes e Karin Sato, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2017 | 14h30

RIO e SÃO PAULO - A Petrobrás incluiu a polêmica refinaria de Pasadena, instalada no Texas, nos Estados Unidos, entre os ativos que vai vender para atingir a meta de US$ 21 bilhões de desinvestimentos até o fim do ano que vem. Em comunicado ao mercado, a empresa informou também que vai se desfazer da subsidiária africana Petrobrás Oil & Gas BV.

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Estopim da Operação Lava Jato, da Polícia Federal, Pasadena custou US$ 1,2 bilhão à Petrobrás, pagos à Astra Oil, que, meses antes, havia adquirido a refinaria a US$ 42,5 milhões. Pelas contas do TCU, a estatal perdeu US$ 792 milhões ao fechar o negócio. Dificilmente a empresa vai reverter esse prejuízo com a venda.

Para o ministro de Minas e Energia, Fernando Coelho Filho, a Petrobrás tem autonomia para vender Pasadena e não deve se prender ao fato de a refinaria ser alvo de investigação por corrupção. Após participar de audiência na Câmara, Coelho Filho afirmou que a decisão da estatal deve ser matemática e que acha natural que a petroleira opte por se desfazer de Pasadena para alcançar a meta de venda de ativos.

“Eu não encaro (a venda) com simbolismo. A venda tem de ser na matemática, não pode ser na ideologia. Ou é um bom negócio ou um mau negócio. Ou é foco de atuação da empresa ou não é foco de atuação da empresa”, afirmou o ministro. “Se é um mau negócio e não é mais o foco de atuação da empresa, por a refinaria ter sido um símbolo nós vamos carregar isso? É matemática, não é ideologia. A decisão do conselho é soberana naquilo que for melhor para a empresa”, complementou.

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Processo. Os detalhes de venda dos dois ativos ainda serão submetidos à diretoria e ao conselho de administração da empresa, que deverão aprovar o modelo de alienação e os critérios de seleção dos potenciais interessados. “Dessa forma, a carteira aprovada é uma carteira de intenções, a partir da qual o início de divulgação de cada projeto se dará individualmente e oportunamente”, informou a Petrobrás, em comunicado.

No processo de desinvestimento dos dois ativos, a petroleira vai cumprir as exigências do Tribunal de Contas da União (TCU) que obriga a empresa a ser mais transparente e a abrir a todo o mercado a oportunidade de compra da refinaria e da subsidiária africana. Até então, apenas potenciais interessados identificados pela estatal eram chamados a participar da concorrência.

Balanço. Um dia antes da divulgação dos resultados do primeiro trimestre, os papéis da Petrobrás foram destaque no Ibovespa ontem. As ações ordinárias subiram 3,16% e as preferenciais, 4,17%, ancoradas na expectativa de analistas de que a estatal apresentará resultados operacionais sólidos e também na alta do preço do petróleo no mercado internacional.

O barril do petróleo WTI, negociado em Nova York, para entrega em junho, avançou 3,16%, para US$ 47,33, enquanto o brent para julho subiu 3,06%, a US$ 50,22, na Bolsa de Londres.

A média das projeções de analistas consultados pelo Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado, aponta que a Petrobrás vai divulgar lucro líquido de R$ 3,518 bilhões de janeiro a março, revertendo assim prejuízo de R$ 1,246 bilhão registrado no primeiro trimestre do ano passado.

O Santander destaca os ganhos da Petrobrás com a venda de combustíveis em suas refinarias e a queda do custo de extração de petróleo no período. Já os analistas do Itaú BBA ressaltam que, apesar da empresa lucrar mais com a gasolina e com o diesel, o consumo interno está fraco. Por isso, apostam que o resultado do primeiro trimestre virá em linha com o do último trimestre do ano passado.

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