Tiago Queiroz/Estadão
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Petrobrás planeja adiar a abertura de capital da BR Distribuidora

Queda no preço do petróleo e dúvidas sobre o desempenho da economia chinesa devem obrigar a estatal a rever estratégia de desinvestimento; mesmo a venda de gasodutos, uma das operações mais adiantadas da empresa, ainda não está garantida para este ano

Mônica Ciarelli, Antonio Pita, Fernanda Guimarães, O Estado de S. Paulo

27 de agosto de 2015 | 21h53

A queda livre da cotação do petróleo no mercado internacional e as incertezas com a economia chinesa ameaçam os planos de venda de ativos da Petrobrás para este ano. A estatal já admite postergar a abertura de capital da BR Distribuidora, tida como o principal item da lista de desinvestimentos, que prevê arrecadar US$ 15,7 bilhões até 2016. O ‘Broadcast’, serviço de informação em tempo real da ‘Agência Estado’, apurou que a estatal ainda não bateu martelo sobre o adiamento, mas caminha nessa direção. 

Segundo fontes próximas à direção da petroleira, todo o plano de negócios e de desinvestimentos, apresentado em junho, deve passar por uma revisão. Mesmo a venda de gasodutos, uma das operações mais aceleradas na empresa, ainda não está garantida para este ano. 

A previsão inicial era realizar a abertura de capital da subsidiária de distribuição de combustíveis até outubro, com a venda inicial de 25% das ações com possibilidade de ampliação. Para tanto, o registro junto à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) teria que ser feito até esta sexta-feira. 

Na última semana, a volatilidade de preços internacionais do óleo Brent acendeu um novo alerta na empresa. Mesmo com notória necessidade de geração de caixa, a companhia não quer se desfazer de ativos valiosos em condições desfavoráveis. A oferta da BR Distribuidora já nasceu com veto do presidente do conselho de administração da estatal, Murilo Ferreira, sob alegação de que, antes do IPO era preciso adotar medidas para melhorar a governança corporativa da BR Distribuidora. 

A avaliação é que o envolvimento do presidente licenciado da BR Distribuidora, José Lima Neto, nas investigações da Operação Lava Jato diminuiria a atratividade do ativo. Lima Neto foi indicado ao cargo de presidente pelo ex-ministro de Minas e Energia, Edson Lobão (PMDB-MA), suspeito de receber propina no esquema de corrupção na estatal. Para evitar uma contaminação na empresa, toda a diretoria será substituída por executivos de mercado, escolhidos por uma consultoria privada, a Korn Ferry. 

“O Murilo tem trabalhado muito para levar essa operação para depois”, disse uma fonte. O executivo também propôs a elaboração de um novo plano de negócios para a BR Distribuidora, condizente com o atual cenário econômico e com a perspectiva de novos negócios após a abertura de capital. 

Freio. A estratégia de financiamento da Petrobrás, divulgada junto com o plano de negócios e desinvestimentos da companhia em junho, trazia premissas já obsoletas no atual cenário, com taxa média de câmbio a R$ 3,05 e cotação de Brent a US$ 60. Nesta quinta-feira, o Brent fechou a US$ 47,56 após a maior alta diária desde 2008. O dólar foi negociado a R$ 3,55. Sem a perspectiva de melhora no cenário, a revisão nos planos de negócio já foi iniciada na BR Distribuidora e também na Petrobrás. 

Um exemplo do freio nos planos para recuperação da estatal teria sido o anúncio de uma nova emissão de debêntures da BR Distribuidora, na última quarta-feira. A medida, não esperada pelo mercado, foi recebida como uma compensação ao caixa da petroleira diante do adiamento da oferta pública de ações. A Petrobrás espera captar mais R$ 3 bilhões em três séries de debêntures, destinados a custear investimentos do Plano de Negócios e Gestão 2015-2019 (PNG), alongamento do endividamento ou ainda para custeio de despesas com projetos prioritários. 

Gaspetro. Por isso, todo o plano de negócios e desinvestimentos, anunciado em junho, poderia ser revisto e mesmo adiado no aguardo de melhores condições. Um dos projetos de desinvestimento mais adiantados, a venda de gasodutos da Gaspetro, também pode ser postergado. Com ele, seriam suspensos ou postergados os processo de venda da malha de dutos da Transportadora Associada de Gas (TAG), que foi reestruturada para permitir uma melhor rentabilidade na venda dos gasodutos. 

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