Petrobrás pode passar 2010 sem captações no mercado

Para tanto, adesão de acionistas minoritários à capitalização da empresa precisa superar US$ 10 bilhões

Reuters,

08 de dezembro de 2009 | 15h28

O diretor-financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, prevê que a empresa não terá necessidade de realizar captações no mercado se a adesão de minoritários ao futuro processo de capitalização da empresa superar o valor de US$ 10 bilhões.

"Se for acima de US$ 10 bilhões não precisaremos captar, porque esse dinheiro vem direto para o caixa", afirmou Barbassa a jornalistas em encontro de final de ano no Rio.

O executivo destacou a saúde da companhia em um ano de crise financeira intensa no mundo, informando que a Petrobrás fecha 2009 com um captações US$ 34 bilhões, excluído o empréstimo-ponte, que já foi alongado.

Além das captações e financiamentos obtidos esse ano, a Petrobrás está sendo ajudada pelo preço do petróleo. Segundo o presidente da empresa, José Sergio Gabrielli, presente no evento, se o petróleo continuar no patamar de US$ 65 por barril os investimentos da estatal estão garantidos por 5 anos.

"Quando estava US$ 45 ( o barril) eu disse que era por dois anos, se ficar US$ 65 podemos ficar sem captar por cinco anos", avaliou.

Barbassa explicou que apesar de ainda não ter sido aprovada no Congresso Nacional, a capitalização da empresa está sendo preparada internamente e estará pronta para ser lançada no mercado no primeiro semestre do ano que vem.

"Por enquanto são análises internas, estamos vendo qual será o comportamento do investidor, quais serão as alternativas de faixas de preços, os períodos a serem tomados como referência. São estudos preliminares que vão nos encaminhar para a decisão provavelmente durante o primeiro trimestre do ano que vem e fazer a operação no segundo trimestre", informou.

O executivo lembrou que o objetivo da capitalização é dar musculatura para a companhia aumentar seus investimentos e proporcionar financiamento aos seus fornecedores, a fim de sustentar a gigantesca demanda por equipamentos e serviços do pré-sal.

"Estamos testando (o sistema de financiamento) com fornecedores, com bancos, e todos os envolvidos. Vamos lançar durante o primeiro semestre o financiamento para fornecedores", disse sem dar detalhes, "porque ainda estão em estudos".

A capitalização da Petrobrás está vinculada à cessão onerosa pelo governo de até 5 bilhões de barris de petróleo (boe) de áreas não licitadas do pré-sal na bacia de Santos.

Barbassa explicou que como o governo tem 40% do capital da Petrobrás, o valor total da capitalização poderá ser de até quase três vezes esses 5 bilhões de barris, mas ainda não há uma estimativa do preço do barril do petróleo que será utilizado.

A empresa decidiu assumir o risco e o custo da busca dos 5 bilhões de boe no pré-sal da bacia de Santos e este mês começa a perfurar próximo ao campo de Iara, único no qual já foi comprovada a necessidade de unitização.

No próximo dia 17 a companhia deverá decidir em reunião do Conselho de Administração o terceiro representante dos minoritários no processo de capitalização. Os dois primeiros já representam a categoria no Conselho --o presidente do Banco Santander Brasil, Fábio Barbosa, e Jorge Gerdau.

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