Petrobrás precisa de aporte entre US$ 15 bi e US$ 25 bi, diz Gabrielli

Segundo presidente da estatal, valor é necessário para plano de investimentos entre 2010 e 2014

Kelly Lima, da Agência Estado,

24 de março de 2010 | 16h41

O presidente da Petrobrás, José Sérgio Gabrielli, afirmou nesta quarta-feira, 24, que a companhia precisa de um aporte de algo entre US$ 15 bilhões a US$ 25 bilhões para fazer frente ao seu plano de investimentos entre 2010 e 2014, que pode chegar a US$ 220 bilhões.

 

"É o valor que precisa entrar no caixa da empresa para manter a atual relação capital versus dívida, e capital versus Ebitda", disse em entrevista informal concedida após participar do lançamento do patrocínio para projetos sociais no Brasil todo. No final de 2009, o nível de alavancagem da companhia era de 31%, segundo seu balanço financeiro, e a estatal afirma que o máximo a que iria se expor em alavancagem seria chegar a 35%.

 

Segundo ele, este volume de recursos corresponde ao que a companhia estima receber durante o processo de capitalização previsto para ocorrer até o final de semestre. O valor é equivalente apenas à participação dos acionistas minoritários no capital da companhia, e exclui o valor que o governo federal vai aportar no processo de capitalização.

 

Este aporte do governo será utilizado para pagar à própria União pelos cinco bilhões de barris de óleo do pré-sal que hoje ainda estão sendo buscados no Norte de Iara, na Bacia de Santos, e que serão incorporados às reservas da Petrobrás por uma cessão onerosa.

 

De acordo com Gabrielli, a Petrobrás vai realizar sua capitalização até o final do primeiro semestre de 2010, mesmo que não haja a autorização para que estes barris sejam cedidos pelo governo ainda este ano. Até então, os dois processos estavam sendo tratados de maneira casada e por várias vezes houve a afirmação de que seriam simultâneos.

 

O novo plano de negócios da Petrobrás para o período de 2010-2014, ainda está sendo detalhado pela companhia. Porém, na sexta-feira passada, na última reunião presidida pela ministra chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o Conselho de Administração da estatal aprovou uma orientação para que os investimentos no período fiquem entre US$ 200 bilhões e US$ 220 bilhões. No plano anterior, os investimentos previstos eram de US$ 174,4 bilhões.

 

A Companhia divulgou em nota à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) que mantém a expectativa de que a aprovação da proposta de capitalização, que se encontra em discussão no Congresso Nacional, possa ser concluída ainda no primeiro semestre de 2010. "Trabalhamos com a possibilidade fazer junto com a cessão. Só se não houver alternativa faremos separadamente", disse Gabrielli.

 

Também em nota, a estatal informou que efetuou análise e definição dos procedimentos societários necessários à aprovação da capitalização, observando-se a lei das SA e o seu Estatuto, que incluirão entre outros, a convocação de assembleia geral extraordinária de acionistas para aprovação da capitalização e a observância do direito de preferência a todos os acionistas.

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