Petrobras quer concluir negociações na área petroquímica

Entre os planos de compra da estatal estão ativos da Ipiranga e da Suzano Petroquímica

Alaor Barbosa, da Agência Estado,

26 de setembro de 2007 | 17h25

A Petrobras pretende concluir até novembro as negociações envolvendo as aquisições da empresa na área petroquímica, incluindo a compra de ativos da Ipiranga e da Suzano Petroquímica. A informação é do diretor de abastecimento da empresa, Paulo Roberto Costa, em entrevista à imprensa logo após palestra no Instituto Brasileiro de Executivos Financeiros (Ibef). Segundo Costa, estão "andando em paralelo" os processos de avaliação dos ativos envolvidos na operação, o acordo de acionistas entre as empresas envolvidas e o novo estatuto das novas empresas. "O projeto é ambicioso (conclusão das negociações), mas esse é o nosso objetivo", enfatizou. Costa informou ainda que a tendência é que uma parte do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj), que vai utilizar petróleo pesado do campo de Marlin, fique fora da Central Petroquímica do Sudeste (CPS), a nova empresa que está sendo formada em parceria com a Unipar, incluindo ativos da própria Petrobras, da Suzano Petroquímica (adquirida pela Petrobras) e dos ativos da Unipar. "A tendência é que a unidade primeira geração do Comperj fique fora dessa negociação, porque é um processo muito complexo", argumentou. O diretor da Petrobras informou que o modelo básico para as duas centrais petroquímicas será semelhante, com a Petrobras participando de forma minoritária. No pólo petroquímico do Sul, onde os ativos da Ipiranga serão integrados à Copesul, a Braskem deverá ser a acionista majoritária e a Petrobras terá participação minoritária. O mesmo desenho deverá se repetir no Sudeste, com a Unipar assumindo a participação majoritária na Central Petroquímica do Sudeste (CPS), com a integração de ativos da Petrobras na região, da Suzano Petroquímica e da própria Unipar. Costa foi evasivo quanto à composição acionária do Comperj. Em resposta à pergunta de um participante, ele limitou-se a informar que a Petrobras deverá ser majoritária na unidade de primeira geração, mas poderá ser minoritária nas unidades de segunda geração, que deverá contar com sete ou oito fábricas. Nos projetos de terceira geração a empresa não deverá participar. O executivo estimou que o complexo exigirá investimentos de US$ 8,5 bilhões no total. Na primeira geração serão produzidos os produtos básicos de petroquímica (eteno, propeno, benzeno), os de segunda geração produzirão as resinas (polipropileno, polietileno, estinero) e os de terceira geração fabricarão os produtos finais (embalagens, capas de CD, peças de automóveis, entre outros). Exportação Costa acrescenta que a diretoria da Petrobras deverá aprovar "nas próximas semanas" a participação em cinco projetos voltados à produção de etanol para a exportação, com capacidade de produção de 1 bilhão de litros por ano. Os projetos são novos e estão localizados em áreas novas, nos Estados de Goiás e Mato Grosso. Além da Petrobras, os projetos contarão com participação da japonesa Mitsui e o produto será destinado para o Japão, para ser entregue a partir de 2010. Segundo Costa, a Petrobras e a Mitsui deverão ter participações iguais que, somadas, corresponderão a 20% ou 30% de cada projeto.  O controle será de empresas privadas e cada projeto pertence a um grupo econômico, segundo ele. Costa disse que a sua intenção é encaminhar o projeto para aprovação da diretoria já na semana que vem, mas ele não sabe se haverá tempo. "Será nas próximas semanas. Os projetos básicos já estão definidos", garantiu. Ele prevê que cada projeto vai exigir investimentos em torno de US$ 200 milhões. No ano que vem, a Petrobras deverá contratar outros 15 projetos, também destinados à exportação, com mais 3 bilhões de litros de etanol. Com isso, a empresa espera concluir a contratação de uma capacidade total de 4 bilhões de litros de álcool para 2012, previstos no seu planejamento estratégico. Ao todo, segundo o executivo, a Petrobras analisou mais de 40 projetos. "Todo dia chega projeto novo na empresa. Estamos escolhendo os que oferecem melhor retorno e melhores instalações em termos de logística", explicou. Costa admitiu que a empresa não atingirá a meta de exportar 800 milhões de litros de etanol este ano devido a "diversos problemas". Segundo ele, houve problemas para os embarques para a Nigéria e o contrato com a Venezuela, que previa embarques de 20 milhões de litros mensais, não chegou a ser implementado. Os embarques para o Japão "estão indo bem", já que aquele país tem interesse em diversificar as suas fontes de suprimento de energia, mas ainda estão em fase experimental. "O Japão não quer ficar dependendo apenas do Oriente Médio para a importação de energia", argumentou. Os projetos aprovados pela Petrobras são "complexos bioenergético", segundo Costa. Ou seja, além de produzirem etanol as novas usinas também gerarão eletricidade e se candidatarão a créditos de carbono. A Petrobras, porém, está assumindo o compromisso de adquirir apenas o etanol. A eletricidade e os créditos de carbono serão comercializados pelo dono do projeto.

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