Petrobras reage, mas lucro ainda cai 2% ante 2006

A Petrobras recuperou no segundotrimestre boa parte do lucro perdido nos primeiros três mesesdo ano, mas fatores como o aumento nos custos e a valorizaçãodo real, que impactou os ativos no exterior, ainda deixaram osganhos da empresa inferiores aos obtidos há um ano. No segundo trimestre, a Petrobras lucrou 6,8 bilhões dereais, dois por cento abaixo dos 6,96 bilhões de reaisregistrados no mesmo período do ano passado, elevando o lucrodo primeiro semestre deste ano para 10,9 bilhões de reais,também abaixo do primeiro semestre de 2006, de 13,6 bilhões. "Tivemos crescimento de custo de materiais e serviços,empregamos 8 mil pessoas que ainda estão em treinamento, semproduzir, instalamos mais de 400 mil barris por dia (decapacidade de produção de petróleo) mas só estamos produzindo230 mil", justificou o diretor financeiro Almir Barbassa. Os custos de extração nacional da companhia semparticipação governamental subiram 20 por cento em um ano, de6,12 dólares o barril para 7,33 dólares o barril. Ele explicou, em entrevista coletiva, que ao longo dosegundo semestre a produção atingirá todo o seu potencial, commais 170 mil barris diários, além das plataformas que serãoinstaladas e que chegarão ao pico de atividade em 2008. No segundo trimestre, a produção foi menor do que noprimeiro, "em função de alguns problemas operacionais jásolucionados" e cresceu apenas dois por cento em relação aosegundo trimestre de 2006. A produção média de petróleo atingiu1,789 milhão de barris por dia no segundo trimestre, informou aempresa. "No segundo semestre teremos a P-52, P-54, Piranema eCidade Vitória entrando com mais 480 mil barris instalados",afirmou Barbassa, lembrando que esse total será atingido apenasno ano que vem. A receita da companhia cresceu em relação ao segundotrimestre do ano passado, de 37,9 bilhões de reais para 41,7bilhões de reais, refletindo a entrada da receita da refinarianorte-americana de Pasadena, em Houston, com capacidade paraprocessar 100 mil barris de petróleo por dia, e um maior volumede trading. Por outro lado, a empresa teve perdas cambiais referentes aativos no exterior de 800 milhões de reais no segundotrimestre. "O que diferencia o resultado do segundo trimestresão as perdas cambiais. A Petrobras tem ativos no exterior eisso é contabilizado como investimentos em dólar", disse odiretor. OPERAÇÃO SUL-AMERICANA Além do câmbio, as unidades na Bolívia, Venezuela eEquador, juntas, resultaram em prejuízo, já que o único pesopositivo foi da Bolívia, de 110 milhões de reais, pela venda deativos, enquanto a Venezuela trouxe perdas de 25 milhões dereais e o Equador de 33 milhões de reais. Os fatores negativos pesaram também na geração de caixa dacompanhia medido pelo Ebitda (lucro antes de juros, impostos,depreciação e amortização, na sigla em inglês), resultando,apesar do crescimento da receita, em um ganho de 14,1 bilhõesde reais, alta de apenas 4 por cento em relação ao segundotrimestre de 2006. Fatores como a compra da Ipiranga em março, o pagamento de8 bilhões de reais em dividendos (contra 7,1 bilhões reais doprimeiro semestre de 2006) e a repactuação de 1,1 bilhão dereais do fundo de pensão Petros reduziram o caixa da estatalpara 17,8 bilhões de reais em junho de 2007 contra 27,8 bilhõesde reais em dezembro de 2006. Segundo Barbassa, a queda reflete o grande volume deinvestimentos da empresa, que até junho deste ano aplicou 19,7bilhões de reais dos 54 bilhões de reais previstos. O diretorinformou que na terça-feira deverá ser anunciada a revisão deinvestimentos da estatal, atualmente de 87,4 bilhões de dólarespara o período 2007-2011, e que deverá ser elevado para os anosde 2008 a 2012.

DENISE LUNA, REUTERS

13 de agosto de 2007 | 20h11

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