Petrobras recorrerá de decisão da Justiça a favor da Ceg

A Petrobras decidiu recorrer dadecisão da Justiça que a fez retomar o fornecimento de gásnatural para a distribuidora do Rio de Janeiro Ceg, informounesta quarta-feira a diretora de Gás e Energia, Graça SilvaFoster. Com a decisão judicial, a Petrobras teve que retomar aremessa de gás para a Ceg e a Ceg-Rio e com isso reduzir oenvio do combustível para as térmicas, ocasionando uma reduçãode geração de energia por elas de 250 MW nesta quarta-feira. "Vamos recorrer da Ceg porque entendo que temos essedireito", afirmou Graça. A Petrobras é a terceira maior geradora de energia do paíscom parque com capacidade de 4 mil MW. Em contrato com aagência reguladora do setor elétrico, a Aneel, a estatal secomprometeu a fornecer gás para todas as termelétricasnecessárias para manter o sistema seguro. Se a empresa se negar a fornecer o gás, poderá ser multada.Graça informou, porém, que a multa se aplica se o volume nãofor fornecido durante um espaço de tempo, e não apenas emalguns dias, mas ela não deu detalhes. A executiva explicou que o volume enviado para a Ceg e aCeg-Rio está acima do contratado entre as duas companhias,assim como ocorreu também com a Comgás, distribuidora de SãoPaulo. Segundo Graça, a Comgás tem recebido 2 milhões de metroscúbicos a mais por dia, assim como a Ceg. Já a Ceg-Rio recebe400 mil a mais. "Esse consumo extra está há mais de 12 meses porque nósautorizamos, mas há 15 dias estamos avisando que teria quedespachar as usinas térmicas", disse Graça a jornalistas. A Comgás, maior distribuidora de gás canalizado do Brasil,informou nesta quarta-feira que está negociando com um grupo deempresas clientes a substituição do gás natural pelo óleocombustível. [ID:nN31286680] A Petrobras está revendo os contratos com as distribuidorasde gás de todo o país para torná-los mais flexíveis e enfrentarmomentos como o atual, lembrou Graça. Além da flexibilidade, aPetrobras quer também reajustar o preço do gás natural porqueconsidera que o valor está "irreal" em relação ao mercadointernacional. "Querer um contrato inflexível não pode mais, a não ser quea empresa tenha uma grande descoberta de gás. Por enquanto, ogás produzido é consumido", explicou a executiva sobre a ofertaapertada que obriga a Petrobras a oscilar o fornecimento de gásnatural para as distribuidoras. "O custo da produção de petróleo tem sido crescente e opreço do gás foi ficando para trás", completou. "Esse preço deprodução precisa ser renegociado." Graça ainda afastou totalmente o risco de desabastecimentode energia elétrica no país, lembrando que a redução dosúltimos dias é muito pequena em relação à quantidade de energiagerada pela empresa.

DENISE LUNA, REUTERS

31 de outubro de 2007 | 20h38

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