Petrobrás reverte prejuízo e lucra R$ 6,2 bi no 2º trimestre

Balanço da estatal é impulsionado pela adoção de prática contábil que limita o impacto do câmbio nas dívidas em dólar

André Magnabosco e Sabrina Valle, da Agência Estado,

09 de agosto de 2013 | 18h17

 

Texto atualizado às 19h50

SÃO PAULO e RIO - A Petrobrás reportou um lucro líquido de R$ 6,201 bilhões no segundo trimestre, revertendo assim o prejuízo líquido de R$ 1,346 bilhão registrado no mesmo período de 2012. Na comparação com o primeiro trimestre deste ano, contudo, o resultado teve retração de 19,4%.

O balanço da estatal foi impulsionado pela adoção da contabilidade de hedge, uma prática contábil que limita o impacto do câmbio sobre as dívidas em dólar. A manobra poupou a empresa de registrar um novo prejuízo, aquele que seria o segundo resultado trimestral negativo da companhia desde a maxidesvalorização cambial de 1999. Segundo a presidente, Graça Foster, a nova regra evitou perdas aproximadas de R$ 8 bilhões.

Devido à estratégia, o resultado financeiro da Petrobrás ficou negativo em R$ 3,551 bilhões. Entre abril e junho de 2012 - quando a valorização do dólar ante o real apresentou ritmo semelhante ao visto no segundo trimestre deste ano - o resultado financeiro líquido da Petrobrás ficou negativo em R$ 6,407 bilhões, quase o dobro.

O lucro da empresa no período ficou 24,1% acima das estimativas dos analistas que acompanham a estatal. A média das projeções de cinco casas consultadas (Bank of America Merrill Lynch, HSBC, Itaú Corretora, Morgan Stanley e Votorantim Corretora) pelo Broadcast, serviço em tempo real da Agência Estado, apontava lucro trimestral de R$ 4,997 bilhões.

Base de comparação. Já no primeiro semestre, o lucro acumulado da Petrobrás totalizou R$ 13,89 bilhões, expansão 76,6% na comparação com o mesmo período de 2012. A alta é explicada pela fraca base de comparação do ano passado, principalmente do segundo trimestre, quando a estatal registrou o primeiro prejuízo trimestral desde 1999 e o pior Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortizações) desde o final de 2008 .

Essa base de comparação debilitada também explica o salto de 70,7% no Ebitda da estatal no segundo trimestre. O indicador totalizou R$ 18,091 bilhões entre abril e junho deste ano. O número é classificado como ajustado.

Importante destacar que, no segundo trimestre do ano passado, o Ebitda da estatal foi pressionado por uma combinação de fatores adversos, incluindo a incidência de uma despesa de mais de R$ 2 bilhões ocasionada por baixas de poços secos ou subcomerciais.

Reajuste dos combustíveis. Já a receita líquida do segundo trimestre cresceu 8,2% na mesma base comparativa e totalizou R$ 73,627 bilhões. O resultado foi impulsionado pelos reajustes de combustíveis adotados pela estatal desde o ano passado. Ao longo deste período, os aumentos de gasolina e diesel acumularam 14,9% e 21,9%, respectivamente.

A expansão da receita com a venda dos combustíveis foi parcialmente compensada pela menor oferta de óleo, reflexo do grande número de paradas programadas ocorridas nas plataformas de óleo e gás da estatal. 

Em relatório que acompanhou a divulgação do resultado do balanço financeiro, a presidente da companhia, Graça Foster, atribuiu o lucro operacional de R$ 11,1 bilhões no segundo trimestre ao efeito desses aumentos do diesel e da gasolina.

Também contribuíram para o avanço de 13% em relação ao primeiro trimestre, na avaliação da executiva, o aumento de produção de derivados nas refinarias, os ganhos com a venda de ativos no exterior e os resultados do programa de redução de custos, lançado no segundo semestre do ano passado.

De acordo com Graça, a estatal já estaria sendo beneficiada pela continuidade na recuperação da eficiência operacional da produção na Bacia de Campos. "O lucro líquido foi de R$ 6,2 bilhões, 19% inferior ao do 1T13, em função do resultado financeiro negativo, impactado pela desvalorização do real frente ao dólar", ressaltou a executiva.

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