Petrobrás tem lucro abaixo do esperado após três trimestres seguidos de prejuízo

Resultado positivo de R$ 370 milhões no 2º trimestre, no entanto, representa queda de 30,3% em relação ao mesmo periodo de 2015; prejuízo nos seis primeiros meses do ano soma R$ 876 milhões

Gabriela Mello, André Magnabosco, Daniela Amorim, Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2016 | 18h22

A Petrobrás reportou lucro líquido de R$ 370 milhões no período de abril a junho, depois de três trimestres consecutivos de prejuízo. Em relação aos R$ 531 milhões anunciados no segundo trimestre de 2015, houve queda de 30,3%. Nos seis primeiros meses do ano, houve prejuízo líquido de R$ 876 milhões, revertendo o resultado positivo de R$ 5,861 bilhões apurado no mesmo período de 2015. Os números do segundo trimestre vieram abaixo das expectativas de analistas, cuja média apontou para um resultado positivo de R$ 2,097 bilhões.

O resultado positivo do período de abril a junho foi influenciado pela queda do dólar - o que ajuda a reduzir o endividamento da estatal -, pelo crescimento de 7% na produção total de petróleo e gás natural e pelo aumento de 14% nas exportações de petróleo e derivados. Por outro lado, pressionaram o resultado as despesas com o plano de demissões, que somam R$ 1,212 bilhão, e a desvalorização (impairment) de ativos do Complexo Petroquímico do Rio de Janeiro (Comperj).

 

 

O diretor de Recursos Humanos e Serviços, Hugo Repsold, esclareceu que 5 mil empregados se inscreveram até hoje no novo Programa de Incentivo ao Desligamento Voluntário (PIDV), que vai até 31 de agosto, mas que a projeção de adesão continua sendo e cerca de 6 mil pessoas. Já o diretor de Refino e Gás Natural, Jorge Celestino, explicou que o Comperj já consumiu US$ 13,5 bilhões. O impairment provocado pela postergação do projeto fluminense teve impacto negativo de R$ 1,124 bilhão.

Segundo o diretor financeiro da estatal, Ivan Monteiro, ainda não é possível prever quando as baixas contábeis deixarão de impactar os resultados da estatal, porém, do ponto de vista da direção, a companhia está se tornando mais previsível.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ajustado da petroleira foi de R$ 20,317 bilhões, alta de 2,8% ante os R$ R$ 19,771 bilhões apurados entre abril e junho de 2015, mas 4% menor que os R$ 21,091 bilhões reportados de janeiro a março deste ano.

A receita líquida somou R$ 71,320 bilhões no período, o que significa um recuo de 10,8% frente aos R$ 79,943 bilhões gerados no segundo trimestre de 2015. Na comparação com os R$ 70,337 bilhões do primeiro trimestre, no entanto, houve crescimento de 1%. A receita semestral da petroleira atingiu R$ 141,657 bilhões, 8% abaixo dos R$ 154,296 bilhões apurados no primeiro semestre do ano passado. 

O resultado financeiro líquido da estatal ficou negativo em R$ 6,061 bilhões no trimestre encerrado em 30 de junho de 2016, 30% abaixo dos R$ 8,693 bilhões negativos observados entre janeiro e março de 2016. 

Vendas de derivados. As vendas totais de derivados da Petrobrás no segundo trimestre atingiram 2,109 milhões de barris por dia, um recuo de 6,3% ante os 2,250 milhões de barris diários negociados entre abril e junho de 2015. Em relação aos 2,056 milhões de barris diários comercializados entre janeiro e março, contudo, houve alta de 2,6%. O valor médio de derivados básicos no mercado interno durante o segundo trimestre foi de R$ 228,95 o barril, ante R$ 224,09 o barril no mesmo intervalo de 2015 e R$ 231,68 o barril no primeiro trimestre de 2016.

A comercialização de diesel, principal mercado para a estatal em termos de volume, somou 811 mil barris diários, retração de 12% ante os 923 mil barris vendidos no segundo trimestre de 2015, mas 1,6% acima dos 798 mil barris negociados no primeiro trimestre deste ano. O derivado é consumido em grande escala por caminhões, atividade da economia que depende do desempenho do Produto Interno Bruto (PIB). O dado mais recente disponível é do primeiro trimestre, no qual o PIB brasileiro encolheu 0,3%, depois de uma retração de 3,8% em 2015.

Já as vendas de gasolina alcançaram 541 mil barris diários, alta de 0,7% ante os 537 mil barris diários comercializados entre abril e junho do ano passado, porém 4% abaixo dos 564 mil barris diários do trimestre imediatamente anterior.

O balanço mostrou, ainda, que as vendas ao mercado externo no segundo trimestre de 2016 totalizaram 1,020 milhão de barris diários, 6% menos que os 1,087 milhão de barris diários negociados entre abril e junho do ano passado. Contudo, o volume fica 11,8% acima dos 912 mil barris diários comercializados de janeiro a março deste ano.

Com isso, as vendas totais da Petrobrás entre abril e junho de 2016 ficaram em 3,556 milhões de barris por dia, 8,9% menos que os 3,904 milhões de barris por dia do segundo trimestre de 2015. Na comparação com os 3,439 milhões de barris diários negociados de janeiro a março deste ano, houve crescimento de 3,4%.

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