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Petrobrás tem lucro de R$ 5,3 bilhões no primeiro trimestre

Resultado superou as projeções do mercado, puxado pela relação favorável de preços entre produtos importados e valores cobrados pelos combustíveis no Brasil; para o diretor financeiro, Ivan Monteiro, empresa enfrenta 'restrição de financiabilidade'

Antonio Pita, Fernanda Nunes, Vinicius Neder, O Estado de S. Paulo

15 Maio 2015 | 18h06


Atualizado às 23h00

Após um ano de grave crise institucional e financeira, que culminou no prejuízo de R$ 21,6 bilhões em 2014, a Petrobrás superou as expectativas do mercado ao apresentar lucro de R$ 5,3 bilhões no primeiro trimestre deste ano. O resultado – uma variação negativa de 1% em relação ao mesmo período do ano passado – indica que a companhia ganhou fôlego com a alta no preço dos combustíveis, mas ainda tem sérias fragilidades decorrentes do alto endividamento.

“A companhia não está paralisada e o resultado do trimestre demonstra isso”, disse a diretoria de Exploração e Produção, Solange Guedes, em entrevista coletiva. Sem a participação do presidente da companhia, Aldemir Bendine, coube à executiva e ao diretor financeiro, Ivan Monteiro, indicar que a companhia está em trajetória de retomada, apesar da “restrição de financiabilidade”.

O destaque ficou com a área de Abastecimento, que cuida da venda de combustíveis. O setor saiu do vermelho pela primeira vez desde 2010 e apresentou resultado positivo de R$ 6,181 bilhões. Por causa da crise econômica, o volume de vendas caiu. Mas a estatal vendeu combustíveis a preços mais altos no Brasil do que os valores pagos pela empresa pelo produto importado.

Há cinco anos, Petrobrás acumulava perdas entre R$ 60 bilhões e R$ 80 bilhões por ter sido forçada pelo governo a vender combustíveis a preços mais baixos do que a média internacional. Agora, a nova equipe econômica do governo indicou que não vai interferir na política de preços da estatal.

Para o segundo trimestre, porém, o cenário é menos favorável para o abastecimento. O diretor responsável pela área na Petrobrás, Jorge Celestino, já prevê uma queda no volume de importação da gasolina por causa da concorrência do etanol.

A empresa apresentou ainda geração de caixa de R$ 21,5 bilhões, a maior da história da estatal para um trimestre. “A companhia praticará preços competitivos e de mercado”, afirmou Monteiro, indicando que a petroleira privilegiará a recuperação de seus indicadores financeiros.

A estatal também indicou que vai aguardar o desfecho na Justiça das investigações da Operação Lava Jato, que poderá resultar em mais perdas em seu balanço. “Se surgirem novas informações comprovadas, elas serão incorporadas”, afirmou o diretor.

“Os investidores devem ficar animados com os resultados no futuro. Finalmente, os preços (de combustíveis) estão alinhados, até um pouco maiores. Isso vai permitir que as perdas sejam recuperadas ao longo dos trimestres”, afirmou o analista independente Flávio Conde, do blog WhatsCall. 

Menos investimentos. Os investimentos da Petrobrás somaram R$ 17,843 bilhões entre janeiro e março deste ano, montante 13,3% inferior aos R$ 20,584 bilhões desembolsados no mesmo período de 2014. A maior parte dos investimentos foi direcionada à área de Exploração e Produção (E&P), com o equivalente a R$ 13,995 bilhões (78% do total). No mesmo período do ano passado, a área de E&P recebeu R$ 13,243 bilhões e respondeu por apenas 65% dos investimentos realizados. A elevação dos desembolsos em E&P, na comparação anualizada, e a maior participação nos desembolsos totais confirma a intenção da estatal em concentrar os investimentos nessa área.

Os desembolsos na atividade de Abastecimento somaram R$ 1,809 bilhão (10% do total), queda de 63,7% na comparação com o primeiro trimestre de 2014, quando somaram R$ 4,985 bilhões e representaram 24% dos desembolsos. Os investimentos na área de Gás e Energia totalizaram R$ 652 milhões, queda de 43% em igual base comparativa. Na área Internacional, a situação se inverteu: o investimento somou R$ 985 milhões, alta de 39% na comparação entre primeiros trimestres.

A área de Distribuição movimentou R$ 175 milhões, queda de 20%. Já os investimentos no segmento de Biocombustível saltaram de R$ 2 milhões no início de 2014 para R$ 5 milhões nos três primeiros meses deste ano. A área Corporativa contabilizou R$ 222 milhões em investimentos, queda de 20%. 

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