Paulo Vitor/Agência Estado
Paulo Vitor/Agência Estado

Petrobrás tem lucro de R$ 9,1 bi no terceiro trimestre de 2019

Em relação a igual período do ano passado, houve aumento de 36,8% no lucro líquido da companhia

Fernanda Nunes, Denise Luna e Cristian Favaro, O Estado de S.Paulo

24 de outubro de 2019 | 21h01

RIO/SÃO PAULO - Impulsionada pelo crescimento da produção no pré-sal, a Petrobrás melhorou os desempenhos financeiro e operacional no terceiro trimestre deste ano. O resultado foi bilionário, a dívida caiu e o volume de petróleo e gás extraídos avançou ainda mais, sinalizando que a meta de produção do ano vai ser alcançada.  O lucro líquido ficou em R$ 9,1 bilhões, 36,8% acima de igual período do ano passado. 

“O desempenho da companhia no terceiro trimestre já começa a refletir a implantação de nossa estratégia voltada para a criação de valor”, afirmou o presidente da companhia petroleira, Roberto Castello Branco, na carta de apresentação do resultado divulgada ao mercado.

O resultado veio acima da projeção do mercado. Analistas de cinco casas ouvidos pelo Estadão/Broadcast previram lucro líquido de R$ 7,5 bilhões. 

A empresa anunciou eventos não recorrentes, que tiveram efeito positivo de R$ 1,5 bilhão. O destaque foi a venda do controle da BR Distribuidora, que gerou ganho de R$ 13,9 bilhões. Na contramão, a empresa anunciou perda com contingências judiciais de R$ 2,9 bilhões e baixa contábil de R$ 2,4 bilhões.

O trimestre foi marcado, principalmente, pelo bom desempenho da área de exploração e produção de petróleo e gás. No período, foram extraídos 2,87 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed), uma alta de 9,3% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Desse volume total, a maior parte, 60,4%, foi produzida no pré-sal, por conta da entrada de quatro plataformas no campo de Búzios e duas no campo de Lula, ambos na Bacia de Santos, desde o ano passado. O resultado financeiro decorrente do crescimento da produção só não foi melhor porque o preço do barril do petróleo caiu de julho a setembro.

“Tendo em vista o crescimento expressivo da produção no pré-sal neste trimestre e que a plataforma P-68 entrará em operação ainda neste ano, além da estabilidade de produção nas áreas do pós-sal e em terra, tudo leva a crer que a meta de produção anual de 2,7 milhões de barris de óleo equivalente por dia é realista e será atingida”, acredita Daniela Davila, sócia da área de Óleo e Gás do escritório de advocacia Vieira Rezende. Ela também aposta que o preço do barril de petróleo se manterá na casa dos US$ 60 em 2020.

A dívida líquida, que levou a empresa a optar pela venda de ativos e a entrar num processo de recuperação, foi reduzida mais um pouco no período, alcançando a marca de US$ 90 bilhões, frente a US$ 110 bilhões fechamento do segundo trimestre. A estatal continua trabalhando para alterar o seu perfil de endividamento, alongando os prazos de pagamento e reduzindo os juros.

Nos próximos meses, o resultado da Petrobrás deve ser afetado também por gastos com o aluguel da rede de transporte de gás, vendida recentemente pela estatal, segundo José Roberto Faveret, sócio do escritório de advocacia Faveret Lampert. “As novas demonstrações financeiras vão começar a revelar o alto custo que a Petrobrás passa a incorrer no transporte de gás. Ela contratou toda a capacidade do sistema e paga por isso. Mas só usa metade aproximadamente. Antigamente isso não aparecia porque a Petrobrás era dona dos gasodutos de transporte. Agora que vendeu, esse custo vai aparecer”, disse o especialista.

Tudo o que sabemos sobre:
Petrobráspetróleo

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.