Pilar Olivares/Reuters
Pilar Olivares/Reuters

Petrobras tem queda de 2,8% na produção diária de petróleo em 2021

Segundo a estatal, a queda tem relação com as paradas para manutenção das plataformas no ano passado; por outro lado, as vendas de derivados de petróleo, como a gasolina, subiram 8,5%

Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

09 de fevereiro de 2022 | 20h12

RIO - A Petrobras fechou o ano de 2021 com produção diária comercial de 2,4 milhões de barris de óleo equivalente (boe), de acordo com o relatório de produção e venda divulgado nesta quarta-feira, 9. O desempenho ficou 2,8% abaixo do ano anterior, por conta, principalmente, de paradas para manutenção de plataformas. A empresa foi obrigada a reparar embarcações, por uma questão de segurança. 

Em contrapartida, a informação positiva do relatório foi o crescimento de 8,5% da venda de derivados de petróleo, com destaque para a gasolina, fruto da recuperação da participação no mercado.

“A queda na produção de petróleo e gás natural no quarto trimestre, para além das paradas para manutenção no pré-sal, está em boa medida relacionada aos desinvestimentos concluídos em 2020 e 2021, quando a companhia se desfez de uma série de campos, sobretudo, na região Nordeste do País", afirmou Mahatma Ramos, pesquisador do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep)

Produção no pré-sal bate recorde

Os campos do pré-sal, que puxaram a produção da estatal em 2021, têm alta produtividade, ou seja, a Petrobras consegue extrair um volume de petróleo maior em menos tempo e, por isso, com menor custo. 

Isso significa que, com a cotação da commodity em alta no ano passado, a empresa privilegiou ainda mais esses campos na hora de definir onde colocar dinheiro. Em 2021, o pré-sal respondeu por 72,4% do volume total extraído no País e por 70%, do total da Petrobras, um recorde, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

A Petrobras informou ter produzido 1,6 milhão de barris por dia (bpd) no pré-sal, um avanço de 4,5% frente ao ano anterior. Em todo País, a produção foi de 2,7 milhões de boe/d do total – dos quais 2,15  milhões de bpd foram de petróleo (2,4% menos que em 2020) e 513 mil boe/d (queda de 0,2%).

Segundo a empresa, um dos destaques da sua operação no ano foi a instalação do navio-plataforma no campo de Sépia, a FPSO Carioca, no pré-sal da Bacia de Santos. O campo de Tupi, no entanto, continua a ser o maior produtor nacional, com 31% do total e alta de 1% em relação ao ano anterior.

Venda de gasolina subiu 20%

No segmento de derivados de petróleo, a fotografia continua a ser de crescimento, apesar da pandemia e crise econômica. O comércio dos combustíveis continuou avançando, com a recuperação da participação no mercado interno – alta de 19,1% da gasolina e de 1,4% do diesel, comparados a 2020. Já a produção de derivados nas refinarias ficou em 1,8 milhão de bpd/d, acréscimo de 1,8% em relação ao ano anterior. A empresa optou por privilegiar o processamento do petróleo no Brasil em vez da importação, o que elevou o fator de utilização das refinarias no ano para 88%.

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