Petrobras terá desafio tecnológico para produzir em Tupi

Somente por volta de 2011 aPetrobras terá condições de instalar um poço-piloto de produçãono campo gigante de Tupi, na bacia de Santos, para avaliar asua comercialidade, e mesmo assim ainda terá que desenvolvertecnologia para tornar a nova descoberta viável. De acordo com o diretor de Exploração e Produção daPetrobras, Guilherme Estrella, o esforço de tecnologia será nosentido de reduzir o custo de produção em águas ultraprofundas,como é o caso de Tupi, que possui entre 5 e 8 bilhões de barrisde reservas em profundidade entre 4,5 a 7 mil metros. Hoje, aPetrobras produz no máximo a 2,7 mil metros. "Nossa intenção é implantar um piloto para produzir 100 milbarris por dia de petróleo e gás o mais rápido possível,possivelmente em 2010, 2011", afirmou Estrella. "Quando fordeclarado comercial, o campo mudará de nome como os demaiscampos da companhia para o nome de um peixe, ou de um molusco",brincou Estrella, indicando ser possível uma homenagem aopresidente Luiz Inácio Lula da Silva. O desafio, segundo Estrella, será a utilização do gásnatural encontrado no reservatório localizado a 250 quilômetrosda costa. Ele explicou que algumas alternativas estão sendoestudadas, como plantas de liquefação flutuantes, quereceberiam o gás dos poços, que depois de liquefeito seriatransportado para terra por navios. Outra opção seria a geraçãode eletricidade em uma termelétrica flutuante, com transmissãode energia por meio de cabos submarinos. O diretor não soube avaliar o valor do investimento, quenão estava previsto no Plano Estratégico da companhia até 2012,mas lembrou que em profundidades menores o custo dedesenvolvimento de um campo que produz cerca de 150 mil barrisdiários é de cerca de 1,2 bilhão de dólares. "Mas com certezaesse seria bem mais caro", afirmou. "Quando duplica aprofundidade, triplica o custo". O presidente da Petrobras, José Sergio Gabrielli, estimouque o Plano Estratégico terá que ser revisto para incluir anova realidade da empresa, que poderá se situar entre os 10maiores produtores de petróleo do mundo se conseguir retirar oóleo que estima possuir na camada pré-sal (ultraprofunda) noSul e Sudeste do país, numa faixa de extensão de 800quilômetros por até 200 quilômetros de largura. De 15 poços feitos na camada pré-sal, oito indicaram aexistência de óleo, informou Gabrielli. "Vamos sair das atuais reservas para ficar entre os oito,nove maiores produtores...devemos ficar entre a Nigéria e aVenezuela", disse Gabrielli, informando que atualmente o Brasilocupa a 17a posição. Gabrielli informou ainda que dos blocos de petróleo e gásjá vendidos em leilões do governo brasileiro nas áreaslocalizadas na região pré-sal, que representam 25 por cento dototal da faixa, a Petrobras é detentora de 75 por cento dasconcessões. Segundo o executivo, a expectativa é de que osreservatórios da área pré-sal estejam interligados e destamaneira toda a área poderia ser integrada. "Os reservatórios de Santos são muito semelhantes aos doEspírito Santo, isso dá muita robustez à descoberta", afirmou. O primeiro óleo que será produzido na camada pré-sal,segundo Estrella, está previsto para 2009 no Parque dasBaleias, na bacia de Campos, em frente ao Estado do EspíritoSanto.

DENISE LUNA, REUTERS

08 de novembro de 2007 | 19h50

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