PETROBRAS terá quarto ano sem cumprir meta de produção

Pelo quarto ano seguido aPetrobras não deve cumprir a meta de produção média programadapara o ano, frustrando mais uma vez acionistas da empresa quejá andam preocupados com as incertezas em relação ao pré-sal eàs perspectivas para o preço do petróleo. De acordo com o diretor financeiro da estatal, AlmirBarbassa, a produção média da Petrobras deverá ficar em tornode 1,9 milhão de barris diários, mais próxima à faixa inferiorda meta estipulada em 1,950 milhão de b/d, com uma variação de2,5 por cento para baixo ou para cima. O desempenho, se confirmado, fica praticamente estável emrelação à média de 1,918 milhão de b/d registrada em 2007. Os motivos, segundo o diretor, são desempenho abaixo doesperado em alguns campos e a estimativa muito otimista feitainicialmente que, segundo ele, "era mais um desafio do que umameta", explicou. "Esperamos um desempenho numa dada área e às vezes nãoacontece, como é o caso no campo de Golfinho, que se esperavaum certo nível de produção e ele não se revelou", explicouBarbassa à Reuters. "Esse ano poderá ocorrer o caso de a gente ficar maispróximo à faixa inferior", informou. "Mas vamos trabalhar paraproduzir o máximo possível", afirmou o executivo. A meta de 2008 já havia sido revista dos 2 milhõesprojetados no início do ano. Na revisão foi criada uma faixa detolerância de 2,5 por cento para cima ou para baixo. Além da frustração com o desempenho mais fraco dos campos,atrasos na chegada de equipamentos e a falta de foco por umagrande diversificação nos investimentos da companhia sãoapontados por analistas como fatores negativos de desempenho. "Isso afeta a ação, é um 'guidance' que ela não conseguecumprir em um momento muito positivo para o setor. A gentepoderia estar com uma receita adicional da venda desse petróleoa mais que não entra", avaliou Mônica Araújo, da corretoraAtiva, ressaltando que isso vai obrigar a novos ajustes dasprojeções de lucro da companhia. Nos cálculos da analista, para chegar ao menor patamar dameta, ou seja, 1,9 milhão de barris, a empresa teria que teruma produção média nos próximos cinco meses de 1,961 milhão debarris diários, o que representaria uma alta de 6,6 por centoem relação aos primeiros sete meses do ano. "Ela está sendo bastante otimista quando divulga aestimativa da produção...é uma empresa grande mas está abrindovárias frentes de crescimento, de projetos, e isso acabadificultando", ressaltou. Apesar de ter previsão da entrada em operação de novasplataformas e aumento do desempenho das que entraramrecentemente, a analista prevê que só no final do ano e começode 2009 a produção volte a subir. Para o analista do Banco do Brasil Investimentos NelsonMatos, a média da produção este ano ficará ainda menor, emtorno de 1,850 milhão de b/d, devido ao atraso das entradas dealgumas plataformas, cujos motivos não são divulgados. "O campo não está dando o que esperava ou são as conexões(dos poços às plataformas) que estão demorando a ser feitas?",questionou Matos, que vê mais risco numa eventual queda dopreço do petróleo para a companhia. "O risco vai ser se o petróleo cair abaixo de 100 dólares,porque vai ter que reduzir o preço dos derivados aqui dentro nomédio prazo, para não abrir a porta para as importações",afirmou. Já para Adriano Pires, do Centro Brasileiro deInfra-Estrutura, o erro começa com a meta otimista traçada pelacompanhia em meio a um mercado muito demandado porequipamentos, o que para ele faz parte do uso político que vemprejudicando o desempenho das ações da empresa na bolsa. "Na Petrobras tem uma dose de otimismo que faz parte dogoverno atual, de anunciar coisas grandiosas e não cumprir",afirmou o especialista. Como exemplo ele cita o recuo das estimativas para oscampos de Golfinho e Mexilhão, assim como o anúncio daauto-suficiência em petróleo em 2006, "e que não está sesustentando com o aumento das importações", disse Pires,prevendo um déficit de 8 bilhões de dólares para a balançacomercial da Petrobras este ano. "A situação só não está pior porque o petróleo continua compreço muito alto e esconde essas coisas, mas se lá na frente,em 2015, não tiver pré-sal, ou não for tudo isso que estãofalando, vai ser muito pior", previu.

DENISE LUNA, REUTERS

21 de agosto de 2008 | 15h32

Tudo o que sabemos sobre:
ENERGIAPETROBRAS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.