Petrobras vai investir em refino para crescer no exterior

A Petrobras pretende chegar em2011 com um parque de refino internacional de 330 mil barrisdiários de petróleo, contra os 140 mil b/d atuais, e para issoavalia a compra de ativos em várias partes do mundo. Até 2012,o plano estratégico da empresa prevê refinar 400 mil barris pordia fora do Brasil. Um dos alvos no momento, segundo o diretor da áreainternacional da companhia, Jorge Zelada, é uma refinaria de275 mil b/d em Aruba, da norte-americana Valero Energy, cujasnegociações estão para ser retomadas ainda este mês, apósincêndio da unidade na ilha caribenha. "A estratégia é aproveitar o excedente de produção (noBrasil) que está se prevendo para processar e vender na regiãoonde a refinaria está, no caso, aos Estados Unidos", disseZelada na sua primeira coletiva para a imprensa desde que tomouposse no início de março. O diretor não soube prever quando a possível compra seráconcluída. Após a conclusão das negociações a operação aindaprecisa ser aprovada pela diretoria da Petrobras. Ele lembrou que em 2006 a Petrobras comprou uma refinariano Texas com a mesma finalidade --a Pasadena, onde detém 50 porcento da produção de 100 mil barris diários e estudaexpansão--, e recentemente adquiriu a refinaria Okinawa, noJapão. "A importância dessa entrada na Ásia é que a Petrobraspassa a ser operadora naquela região", avaliou. Okinawa, no suldo Japão, produz 100 mil barris diários e será adaptada paraprocesar o pesado óleo brasileiro. Os investimentos previstos para a área internacional até2012 são de 15 bilhões de dólares --dentro do plano estratégicode 112,4 bilhões de dólares da estatal para o período-- e dessetotal 70 por cento serão investidos em exploração e produção e30 por cento em refino. VIZINHOS Apesar dos problemas enfrentados nos países na AméricaLatina, devido a mudanças de regras que reduzem arentabilidade, Zelada afirmou que a empresa não pensa nomomento em abandonar nenhuma das suas operações. Muito pelo contrário, nesta terça-feira o presidente dacompanhia, José Sérgio Gabrielli, negocia no México possíveisfuturas participações em exploração em meio à discussão doprojeto de mudanças nas regras daquele país, que atualmente sóaceita a atuação de empresas estrangeiras como prestadoras deserviços. "Gabrielli está lá, estamos aguardando, se houver algumaoportunidade vamos analisar", disse o executivo. A mesma avaliação está sendo feita em Cuba e na Venezuela,depois de reuniões com governos destes países, mas nada aindaestá decidido, informou o diretor. "Em Cuba estamos avaliando área para fazer exploração,definir qual tipo de atividade exploratória", disse. "Na Venezuela, ainda não há decisão de participação ou nãoem Carabobo...será avaliada a capacidade de produção e oambiente regulatório da Venezuela", disse Zelada, referindo-sea uma área com perspectivas de petróleo muito pesado e cujaparticipação da Petrobras seria uma contra-partida à entrada daestatal venezuelana PDVSA no capital de uma refinaria emPernambuco. "A contrapartida em Carabobo é de 10 por cento mas podechegar a 40 por cento, que é o que a PDVSA tem na refinaria dePernamebruco, mas não há decisão", reafirmou. Depois de suspender investimentos na Bolívia, que agorapoderão ser retomados, a Petrobras enfrenta problemas noEquador, que elevou para 99 por cento a cobrança do impostosobre a produção no país e discute com as companhiasestrangeiras os novos contratos. "Isso inviabilizaria os contratos de todas as operadoras",afirmou Zelada. A Petrobras recorreu na Justiça da decisãogovernamental e atualmente paga 90 por cento de royaltiesenquanto negocia, informou o executivo. A Petrobras produz cerca de 30 mil barris díarios depetróleo no Equador no bloco 18 e se prepara para explorar umnovo bloco, o 31, mas que ainda depende de licença ambiental.Segundo Zelada, a decisão de investir no novo bloco depende dasnegociações com o governo. "Estamos fazendo avaliação no momento, não temos decisão,se não tiver rentabilidade vamos ter que avaliar se vamos pararde investir", explicou, admitindo que a exploração no localestá atrasada em função das mudanças e da licença. (Edição de Marcelo Teixeira)

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