Petrobrás vai trocar 3 de seus 7 diretores

Mudança indica que atual presidente quer tornar gestão mais técnica e menos política

Sergio Torres, da Agência Estado,

25 de abril de 2012 | 21h40

Texto atualizado às 22h45

RIO - A Petrobrás deverá anunciar até sexta-feira, 27, a substituição de três de seus sete diretores. O afastamento de Paulo Roberto Costa (Abastecimento), Renato Duque (Serviços e Engenharia) e Jorge Zelada (Internacional) foi acertado ontem em Brasília durante reunião entre a presidente Dilma Rousseff e a presidente da Petrobrás, Graça Foster.

 

A partir do início da noite o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, começou a contatar os diretores que serão afastados. Os três chegaram aos cargos com respaldo político, o que indica que a presidente da petroleira, no cargo há 80 dias, tende a tornar sua gestão mais técnica.

A dispensa dos diretores será submetida amanhã ao Conselho de Administração da Petrobrás, que deverá referendar a decisão de Dilma e de Graça. Oficialmente, a estatal não confirmava, até o fim da noite, a substituição dos três diretores.

Os nomes dos substitutos estão sob sigilo. O gerente do Centro de Pesquisas da Petrobrás (Cenpes), Carlos Tadeu da Costa Fraga, é um dos cotados. Ele chegou a ser cogitado para assumir a diretoria de Exploração e Produção, quando Guilherme Estrella deixou o cargo, em fevereiro. Acabou preterido pelo atual diretor, José Formigli, que não teve indicação partidária.

Outros nomes comentados na empresa são os do gerente executivo de Novos Negócios da Área Internacional, Publio Bonfadini, na vaga de Zelada; Luiz Eduardo Valente Moreira, gerente executivo de Gás-Química e Liquefação; e o presidente da Petrobrás Chile, Otávio Ladvocat, para a diretoria internacional.

 

Funcionários concursados da Petrobrás, Duque, Zelada e Costa são diretores antigos. O diretor de Engenharia ocupava o cargo desde janeiro de 2003. Integrou a primeira diretoria do governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Paulo Roberto estava à frente da diretoria de Abastecimento desde maio de 2004. Zelada assumiu a internacional um ano depois.

 

Duque já estava de saída da direção da Petrobrás desde 2010, quando pediu demissão, negada pelo então presidente José Sérgio Gabrielli. O diretor era uma indicação pessoal do ex-ministro da Casa Civil e ex-deputado José Dirceu, que manteve sua influência na Petrobrás mesmo afastado do governo, por seus vínculos políticos com Gabrielli.

Paulo Roberto Costa chegou à direção da Petrobrás pelo PP, indicado pelo deputado José Janene, já falecido. No cargo, passou a ter o apoio de setores influentes do PT, do PR e especialmente de senadores e deputados importantes do PMDB, ligados ao grupo comandado pelo ex-presidente José Sarney.

O amparo político a Jorge Zelada é menos expressivo, mas o manteve na direção por sete anos, mesmo criticado pelo desempenho abaixo do esperado, desde a gestão Gabrielli. O diretor da área internacional teve indicação e apoio do PMDB, principalmente das bancadas federais do Rio e de Minas Gerais.

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