Fabio Motta/Estadão - 11/4/2014
Fabio Motta/Estadão - 11/4/2014

Venda de ativos rende US$ 17 bi à Petrobrás

Estatal anunciou nesta segunda-feira a venda de parte do campo de Roncador para a Statoil; plano de desinvestimento, no entanto, ainda está longe da meta

Fernanda Nunes e Denise Luna, O Estado de S.Paulo

18 Dezembro 2017 | 09h35

A poucos dias do encerramento do ano, a Petrobrás anunciou nesta segunda-feira, 18, a venda de mais um ativo - 25% do campo de Roncador, na Bacia de Campos, para a petroleira estatal da Noruega, a Statoil. Com essa negociação de US$ 2,9 bilhões pelo terceiro maior campo produtor de petróleo, já chega a US$ 17 bilhões o total de desinvestimentos liderados por Pedro Parente, que assumiu a presidência da empresa em maio de 2016.

Desde o ano passado, a Petrobrás já se desfez de 13 ativos. O maior deles foi a Nova Transportadora do Sudeste (NTS), repassada à Brookfield por US$ 5,2 bilhões. A venda mais polêmica, no entanto, foi negociada também com a Statoil, que, por US$ 2,5 bilhões, ficou com o campo de Carcará, considerado um dos mais promissores do pré-sal da Bacia de Santos. As duas estatais são sócias em 13 áreas, das quais dez no Brasil e três no exterior.

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“Desinvestimento é fundamental para a saúde financeira da Petrobrás”, acredita Alfredo Renault, professor do Departamento de Economia da PUC-Rio. Segundo ele, porém, o ritmo de venda dos ativos poderia ser mais veloz para dar margem de manobra ao caixa da estatal. 

Em 2017, a Petrobrás levantou US$ 4,5 bilhões com a venda de ativos, sendo US$ 4 bilhões apenas neste mês. Além de vender uma fatia de Roncador, concluiu o processo de abertura de capital da BR Distribuidora e vendeu o campo de Azulão, na Bacia do Amazonas. Mesmo acelerando na reta final do ano, a Petrobrás ainda está longe da meta de US$ 21 bilhões para o período de 2017 e 2018. A empresa vai precisar, portanto, se desfazer de US$ 14,5 bilhões no ano que vem. À imprensa norueguesa, Parente disse ter certeza de que “chegará lá”. 

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O programa de desinvestimento da Petrobrás chegou a ficar parado por cerca de três meses após decisão do Tribunal de Contas da União (TCU). Na Justiça, a empresa estava sendo acusada de limitar a concorrência por escolher os possíveis candidatos a cada ativo. O questionamento do TCU obrigou a petroleira a alterar todo o processo e, na maioria dos casos, a reiniciar as negociações do zero. 

Roncador. A Statoil ocupa hoje a sexta posição num ranking das maiores empresas produtoras em território brasileiro, com 39,6 mil barris de óleo equivalente (boe) por dia, incluindo petróleo e gás natural. O volume ainda é pequeno, mas a empresa tem demonstrado a intenção de ampliar sua presença no País. Neste ano, arrematou em leilão a área contígua ao campo de Carcará, já operado por ela. Chegou a apresentar oferta por outro reservatório de pré-sal, mas perdeu a disputa para a Petrobrás. “Somos parceiros da Statoil há muito tempo, desde 2003. Assinamos vários acordos, mas esse é o mais importante de todos”, disse Parente. 

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A vantagem, segundo o executivo, é o compartilhamento da tecnologia acumulada pela parceira para recuperar a capacidade de produção de campos maduros, em fase de declínio. Assim, a Petrobrás espera ampliar a vida útil da Bacia de Campos, que, até a descoberta do pré-sal, respondia sozinha por 80% da produção nacional. 

John Forman, ex-diretor da Agência Nacional do Petróleo (ANP), ressalta que a Petrobrás é a petroleira que possui maior volume de petróleo já descoberto ainda não colocado em produção. Esse perfil está na contramão do restante do mundo, que já se esforça para ampliar a produção dos seus campos maduros. “A Petrobrás vai passar a dominar também essa tecnologia, mas até hoje não foi obrigada a fazer isso”, disse Forman.

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