Petroleiros divergem sobre oferta da Petrobras, mas reajuste deve ser aprovado

A maioria dos funcionários da Petrobras ligados à Federação Única dos Petroleiros (FUP) já aprovou o acordo salarial deste ano, afastando a possibilidade de greve na estatal, apesar da rejeição da proposta por uma outra entidade representativa dos funcionários.

MARTA NOGUEIRA, REUTERS

29 de setembro de 2014 | 18h20

A Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), com menos sindicatos filiados, indica a rejeição da proposta da estatal, e acusa a FUP, federação ligada ao PT, de aliviar sua atuação com vistas à reeleição da presidente Dilma Rousseff (PT).

A mais recente proposta da Petrobras prevê o reajuste de 6,51 por cento do salário básico e de 9,71 por cento da tabela de remuneração mínima de nível e regime (RMNR). A FUP indicou a aprovação da proposta na semana passada e as assembleias começaram a acontecer em seguida.

“Todas as (assembleias) que aconteceram até agora estão aprovando”, disse o coordenador-geral da FUP, João Antônio de Moraes, à Reuters. Segundo ele, a ampla maioria dos petroleiros está votando a favor da proposta, inclusive os funcionários do Norte Fluminense, onde está a Bacia de Campos, principal região produtora do país.

A situação difere da registrada no ano passado, quando petroleiros da FUP fizeram greve por alguns dias em outubro.

A FNP classifica a oferta da empresa como "indecorosa" e acusa a FUP de estar "trabalhando ao lado da empresa" para não trazer conflitos às vésperas das eleições.

A FUP tem cerca de 15 sindicatos associados, o que garantiria a aprovação de uma proposta defendida por ela, enquanto a FNP tem apenas cinco.

Para o coordenador-geral do Sindicato dos Petroleiros do Litoral Paulista (Sindipetro-LP) e diretor de Relações Internacionais da FNP, Cesar Caetano, a categoria poderia conseguir um acordo melhor.

"Outras categorias tiveram aumento real e o petroleiro não tem aumento real", afirmou Caetano.

Em seu site, a FNP convida petroleiros a continuar lutando por uma proposta melhor. Dentre as reivindicações, a federação pede reajuste de 18 por cento no salário base, o que inclui ganho real de 5 por cento.

Caetano disse também que o apoio da FUP enfraquece o movimento e que greves estão "praticamente" descartadas.

“O dirigente do sindicato de lá já pediu para o pessoal ter pé no chão, porque não pode prejudicar a eleição da Dilma e, a partir desse discurso, a gente vê dificuldade no encaminhamento do nosso pleito que é de rejeitar a proposta e continuar uma negociação”, disse Caetano.

Questionado, Moraes afirmou que o apoio da FUP ao PT para a reeleição de Dilma não influencia a campanha salarial.

“Nós entendemos que nas atuais condições do país, que a melhor situação para o país e para os trabalhadores é a reeleição de Dilma, mas isso não se mistura com a campanha salarial”, frisou.

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