Fabio Motta/Estadão - 20/7/2018
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Petrolífera australiana investe US$ 300 milhões no Brasil e quer dobrar a produção

A Karoon comprou um campo da Petrobras na Bacia de Santos em outubro do ano passado e já prevê novas aquisições no País

Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

15 de outubro de 2021 | 19h04

RIO - O Brasil assumiu posição de liderança na estratégia de investimento da empresa petrolífera australiana Karoon, desde que a empresa comprou da Petrobras o campo de Baúna, no pós-sal da Bacia de Santos, em outubro do ano passado. O plano, num primeiro momento, é dobrar a produção diária de 14,6 mil barris de óleo equivalente (boe) até o início de 2023, o que vai exigir investimento de US$ 300 milhões. Mas esse é só o início da trajetória da australiana no País. Novas aquisições estão no radar.

“Meu mandato é para identificar oportunidades e expandir a empresa. Estou com carta branca para isso”, disse Antônio Guimarães ao Estadão/Broadcast.

O executivo assumiu o cargo há um mês, após a empresa promover uma concorrência internacional em busca de um executivo para liderar os negócios no País. Por mais de sete anos, Guimarães esteve à frente do Instituto Brasileiro de Petróleo e Gás (IBP), como secretário-executivo, defendendo as causas das grandes petrolíferas. E, por quase 34 anos, trabalhou na Shell. Deixou a petrolífera anglo-holandesa para assumir o desafio de liderar uma empresa que vê no Brasil, atualmente, sua principal oportunidade de expansão.

“Nossa estratégia é firmar a Karoon como uma produtora reconhecida e confiável de petróleo”, disse o executivo, ressaltando que, diferentemente da maioria dos seus pares, vai gerar receita de royalty para o Estado de São Paulo e não para o Rio de Janeiro.

O Brasil é o único país no mundo onde a petrolífera tem ativos de produção. Na Austrália, suas áreas estão ainda em fase exploratória. Por aqui, a intenção é se fixar em blocos marítimos das bacias de Campos e Santos, próximos aos ativos que já possui. Seu porte é de uma petrolífera independente. A Karoon é a nona maior operadora de petróleo no País, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP). Acima dela estão as brasileiras Enauta e PetroRio, num mesmo patamar de grandeza.

A empresa até se inscreveu para participar da 17ª Rodada de Licitações promovida pelo governo no início deste mês, mas acabou desistindo porque considerou que os blocos oferecidos não estavam alinhados à sua estratégia. 

Ainda assim, a empresa se mantém atenta aos próximos leilões, inclusive ao de oferta permanente, no qual as companhias sinalizam ao órgão regulador suas áreas de interesse. O mesmo vale para os ativos postos à venda pela Petrobras, da qual pode adquirir novo campo, desde que tenham o perfil do seu interesse.

“A expertise da equipe é desenvolver projetos offshore. A Karoon é classificada como operadora A, na ANP (tem o direito a concorrer a áreas de alta complexidade nos leilões). Poucas empresas têm essa qualidade”, afirmou Guimarães.

O campo de Baúna entrará em breve em processo de recuperação da produção para que, o volume extraído passe dos atuais 14 mil boe/d para um intervalo de 19 mil boe/d a 24 mil boe/d. Dois poços serão perfurados, numa campanha prevista para acontecer ao longo de 2022. No mesmo ano, a Karoon vai partir para o desenvolvimento de outro campo, o de Patola, inserido na área adquirida da Petrobras. O início da produção está previsto para o começo de 2023.

Os detalhes da estratégia da empresa para os próximos anos vão ser divulgados ao mercado no dia 28 deste mês. Nesse dia, a Karoon vai contar o que deve fazer para se inserir numa economia de baixo carbono. “A gente não briga com a transição energética. Reconhecemos e trabalhamos com ações de redução das emissões e também vamos olhar oportunidades de compensação. Vamos montar um plano de mitigação futura. Para uma empresa do nosso tamanho, é um movimento muito pioneiro”, disse o presidente da Karoon Brasil.

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