Felipe Rau/Estadão - 17/2/2020
Felipe Rau/Estadão - 17/2/2020

Petz anuncia compra da plataforma Zee.Dog por R$ 715 milhões

A Zee.Dog nasceu em 2011 como uma marca de acessórios para animais de estimação e tem faturamento previsto de R$ 228 milhões para este ano

Fernanda Guimarães, O Estado de S.Paulo

03 de agosto de 2021 | 08h59
Atualizado 04 de agosto de 2021 | 09h51

Perto de sua abertura de capital completar o primeiro aniversário, a varejista de produtos para animais de estimação Petz anunciou uma das maiores transações do mercado pet nos últimos anos, ao comprar a Zee.Dog, de produtos premium para animais de estimação, por R$ 715 milhões. A aquisição foi bem recebida pelo mercado, e a ação da Petz encerrou o dia com alta de 5,75%.

Segundo o presidente da Petz, Sergio Zimerman, a compra abre novas vias de expansão para a empresa – faz a rede colocar os pés no mercado internacional, o que inclui um escritório na China – e traz a possibilidade de desenvolvimentos de novos produtos de marca própria, aproveitando a expertise da Zee.Dog. 

“Se tivéssemos adquirido a Petlove e Cobasi, nos adicionaria mais volume financeiro, mas seria mais do mesmo, nenhuma nova competência. E, com a Zee.Dog, é um único negócio que é transformacional e vai acrescentar novas avenidas de crescimento”, diz Zimerman. O executivo, que fundou a Petz há duas décadas, terá sua participação de 33,5% na empresa diluída para cerca de 31%, visto que o pagamento envolverá ações.

A Petz lidera esse mercado com cerca de 6% de participação e a posição se fortalecerá com a aquisição. Na largada, as vendas sobem 10%. O segundo e o terceiro lugares são ocupados, respectivamente, pela Cobasi e pela Petlove, em um mercado altamente pulverizado no Brasil.

Expansão acelerada

A aquisição da Zee.Dog, que ainda precisa passar pelo crivo do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), é a segunda desde a oferta inicial de ações (IPO, pela sigla em inglês) da Petz, em setembro passado. A primeira foi a da plataforma Cansei de Ser Gato, operação concluída nesta semana.

Para a aquisição da Zee.Dog, como parte considerável do pagamento será em ações, não será necessária uma nova captação. “Mas temos outros projetos e vamos avaliar isso, mas nada ainda nos planos”, destaca. Do total que será pago pela transação, R$ 80 milhões serão à vista e outros R$ 100 milhões em um prazo de cinco anos, o que dependerá do cumprimento de algumas condições – o restante será em ações, que quase dobraram de valor desde o IPO. 

A Zee.Dog seguirá como companhia independente e permanecerá sob o comando de Felipe Diz, que fundou a empresa há dez anos ao lado do irmão Thadeu e de Rodrigo Monteiro. “Temos uma visão alinhada, mas entendemos que as empresas têm culturas diferentes”, comenta o presidente da Petz. 

A Zee.Dog já passou por duas captações. Os fundadores e os fundos terão, assim, uma fatia 5,7% da Petz. Dessa fatia, apenas a gestora Treecorp, que ingressou no capital ano passado com um aporte de R$ 100 milhões, será acionista com 3%. “O plano inicial era crescer 15% em 2020, mas a companhia acabou crescendo 50%, e em 2021 crescerá mais de 100%”, diz o sócio da Treecorp, Danilo Just Soares

Butique para cachorro

As conversas entre as empresas começaram um pouco depois de a Petz abrir capital, mas a relação comercial é de anos, comenta Felipe Diz. “Tivemos o interesse de outros players, mas a Petz foi a única com que vislumbramos um futuro”, afirma. A marca, com três lojas físicas, poderá utilizar todas as 144 lojas da Petz como “hubs” para sua operação. 

A internacionalização da Petz já nasce com peso. Com a aquisição, a empresa herda da Zee.Dog a presença em mais de 45 países, sendo que cerca de 30% do faturamento da companhia vem de fora do Brasil. 

A Zee.Dog, forte no desenvolvimento de produtos e de marca – inclusive com uma loja aberta no badalado bairro do Soho, em Nova York –, deverá encerrar este ano com faturamento de R$ 228 milhões, conforme estimativas de mercado.

A companhia arrecada a maior parte de seu faturamento online, mas é também conhecida pelas lojas e quiosques – a maior parte deles localizados em shoppings do Rio de Janeiro e de São Paulo. A companhia tem uma unidade “conceito”, no Rio, que explica como são desenvolvidos os produtos. A marca se posiciona como um produto de estilo de vida, como os de moda, só que focada em animais de estimação. 

O setor faturou R$ 40,1 bilhões no ano passado, uma alta de 13% sobre 2019, segundo o Instituto Pet Brasil. “Esse mercado tem muito potencial”, ressalta Alberto Serrentino, especialista em varejo da consultoria Varese. “E, como temos visto, a agenda do varejo tem sido não só de buscar consolidação, mas de buscar atalhos para a transformação digital.”

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