Weimer Carvalho|Estadão
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PF investiga se ex-diretor da Hypermarcas omitiu informações

Delator teria omitido participação do acionista e do presidente do grupo em pagamento de propina a parlamentares

Fabio Serapião e Teo Cury, O Estado de S.Paulo

20 Abril 2018 | 04h00

A Polícia Federal investiga se o delator Nelson Mello, ex-diretor de Relações Institucionais da Hypera Pharma, antiga Hypermarcas, omitiu informações em seu acordo de delação premiada para proteger o maior acionista e o presidente da empresa. João Alves de Queiroz Filho, maior acionista da farmacêutica, e o executivo Cláudio Bergamo foram alvos de busca e apreensão na operação Tira-Teima, deflagrada pela PF na terça-feira, dia 10. 

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A operação teve entre seus objetivos coletar provas sobre a possível omissão de Mello e participação dos acionistas no pagamento de vantagens indevidas a parlamentares. 

Caso fique comprovada a omissão de informações, o acordo de colaboração de Mello poderá ser rescindido.

Embora a empresa tenha negado no dia da operação que seja alvo de investigação, a própria Hypera Pharma foi alvo de busca da Polícia Federal. Assim como no caso dos acionistas, a busca na empresa é parte da investigação que apura se houve por parte da empresa e de seus acionistas ações para esconder fatos criminosos dos investigadores. O acordo de Mello foi acionado pelo ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot.

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A delação de Mello foi revelada, em junho de 2015, em reportagem do Estado. Segundo o ex-diretor, a empresa teria repassado cerca de R$ 30 milhões para parlamentares do MDB por meio dos operadores Lúcio Bolonha Funaro e Milton Lyra – os dois estão, atualmente, presos. Os repasses teriam como finalidade garantir a atuação desses políticos em temas de interesses da empresa no Congresso.

Foi Funaro o primeiro a apontar possíveis omissões no acordo de Mello. Preso três dias após o Estado revelar a delação do executivo da Hypermarcas, Funaro também assinou um acordo de delação premiada no qual, além de Mello, apontou Queiroz como seu interlocutor na empresa. “Que em certa ocasião, Mello disse ao colaborador que quem respondia, além dele, pelas relações institucionais do grupo era somente João Alves Queiroz Júnior”, disse Funaro.

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Ainda segundo Funaro, uma das Medidas Provisórias (MPs) pelas quais recebeu valores para atuar em favor da Hypermarcas “tinha o intuito de facilitar as transações imobiliárias de Queiroz Júnior, feitas através da empresa Stan Empreendimentos Imobiliários”.

A defesa de Queiroz Filho disse que não comentaria. A defesa de Nelson Mello disse que seu cliente colabora com a Justiça e por isso não poderia comentar. A defesa de Cláudio Bergamo não respondeu aos contatos da reportagem. A Hypera Pharma não quis se manifestar. 

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