PIB cai 0,8% no 1º tri e confirma recessão técnica no Brasil

Contração foi na comparação com o 4º trimestre; ante o mesmo período do ano passado, queda é de 1,8%

Adriana Chiarini e Jacqueline Farid, da Agência Estado,

09 de junho de 2009 | 09h01

O Produto Interno Bruto do País caiu 0,8% no primeiro trimestre de 2009, ante o quarto trimestre do ano passado, somando R$ 684,6 bilhões, segundo dados divulgados nesta terça-feira, 9, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os números confirmam a recessão técnica no País - dois trimestres consecutivos de queda -, adiantada por muitos economistas. Apesar deste aspecto negativo, a boa notícia é que a queda do PIB não foi tão grande como a maioria dos analistas esperava - queda entre 3% e 0,9% na comparação entre o 1º trimestre deste ano e o 4º trimestre de 2008.

 

 

 

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Na comparação com o mesmo período de 2008, a queda foi de 1,8% e ficou no teto das estimativas - queda entre 3,5% e 1,8%. Trata-se do pior resultado para a comparação com iguais períodos do ano anterior desde o quarto trimestre de 1998, quando a queda foi de 1,9%.

 

Uma queda maior da economia não ocorreu porque o setor de serviços, o consumo das famílias e do governo apresentaram alta no trimestre em relação ao período anterior - de 0,8%, 0,7% e 0,6%, respectivamente. No sentido contrário, o PIB da indústria caiu 3,1%. O resultado da agropecuária também foi negativo, em 0,5% na mesma base de comparação.

 

O coordenador de contas nacionais do IBGE, Roberto Olinto, disse que não comentará se o País está ou não em recessão porque essa não é uma atribuição do instituto de estatística. "O IBGE não tem competência para discutir isso, nossa atribuição é medir, e não qualificar, o ciclo da economia", afirmou.

 

Olinto comentou que o conceito de recessão técnica é utilizado em vários locais do mundo, mas difere da definição usada, por exemplo, na União Europeia e nos Estados Unidos. Segundo ele, os comitês dessas regiões definem recessão a partir de uma variedade maior de informações e não apenas a variação do PIB, como dados de rendimento, emprego, vendas do varejo e produção da indústria.

 

12 meses

 

Os números do IBGE mostra ainda que no período acumulado de 12 meses, o crescimento da economia brasileira é de 3,1%. Por causa do resultados nos dois últimos trimestres, houve desaceleração em relação ao total do ano de 2008, quando a expansão do PIB foi de 5,1%. Em 2008, o PIB em valor foi de R$ 2,9 trilhões, ou R$ 15.240 por habitante no ano.

 

Já na comparação entre o primeiro trimestre deste ano em relação ao mesmo período de 2008, o PIB da indústria despencou 9,3%; a agropecuária caiu 1,6%, mas o setor de serviços cresceu 1,7%. O valor adicionado pelos três setores teve redução de 1,5% em relação ao mesmo trimestre de 2008 e os impostos sobre produtos tiveram retração de 3,3%.

 

Investimentos

 

Os investimentos em produção, ou Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF), desabaram 12,6% no primeiro trimestre em comparação com o quarto trimestre do ano passado. Em relação aos primeiros três meses de 2008, a queda foi ainda maior, de 14%.

 

Estes resultados foram ainda piores que as do quarto trimestre de 2008, quando os investimentos caíram 9,8% em relação ao trimestre imediatamente anterior. Este resultado já mostrava o efeito do agravamento da crise econômica.

 

A taxa de investimento (FBCF/PIB) no primeiro trimestre foi de 16,6%. No ano de 2008, a taxa ficou em 19% e no primeiro trimestre de 2008 em 18,4%. A formação bruta de capital fixo é constituída principalmente por máquinas e equipamentos e pela construção civil.

 

Já a taxa de poupança (poupança/PIB) no primeiro trimestre foi de 11,1%. Em 2008, tinha sido 16,9% e no primeiro trimestre de 2008 de 15,3%.

 

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