PIB cresceu 0,8% em março, calcula Itaú Unibanco

Em relação a março de 2010, o PIB Mensal Itaú Unibanco avançou 1,2%

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

24 de maio de 2011 | 13h21

A economia brasileira cresceu 0,8% em março na comparação com fevereiro, livre de efeitos sazonais, segundo o PIB Mensal Itaú Unibanco (PIBIU). Em fevereiro, o indicador havia registrado ligeira alta de 0,2% ante janeiro. Em relação a março de 2010, o PIB Mensal Itaú Unibanco avançou 1,2%.

O indicador oficial do PIB do primeiro trimestre, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), será divulgado no dia 3 de junho e o banco espera uma alta de 1,4% em relação ao quarto trimestre de 2010. Na comparação com o primeiro trimestre de 2010, a previsão dos economistas do Itaú Unibanco é de uma expansão de 4,4%.

O avanço de 1,4% do PIB projetado para o primeiro trimestre contempla avanços de 4,7% do PIB agropecuário, 2,6% da indústria e 1,1% dos serviços, pela ótica da oferta. Do lado da demanda, o banco projeta um crescimento de 0,8% do consumo das famílias, 0,9% do consumo do governo e 3,3% na Formação Bruta de Capital Fixo (FBCF). Ainda pela ótica da demanda, o banco trabalha com uma queda de 4,2% nas exportações e de 1% nas importações.

A prévia do Itaú Unibanco para abril de 2011 aponta para uma estabilidade do PIB em relação a março, já descontados os efeitos sazonais. Em relação a abril do ano passado, a prévia indica alta de 3,6%. Para o fechamento de 2011, o Itaú Unibanco projeta uma taxa de crescimento de 3,6% para a economia.

De acordo com os economista do Itaú Unibanco, o PIB deverá manter a tendência de crescimento, mas a taxas menores nas leituras trimestrais. Bicalho avalia que no primeiro trimestre o PIB deve ter avançado estimulado pelo crescimento das vendas do varejo ampliado, que permaneceram estagnadas por três meses seguidos, de dezembro de 2010 a fevereiro último. "No primeiro trimestre, se não fossem as medidas macroprudenciais, o PIB teria crescido muito mais", afirmou. Ele não disse qual teria sido o crescimento, mas deu como exemplo as vendas de veículos que caíram 3% enquanto o banco trabalhava com uma previsão de expansão de 2%.

De acordo com os economistas, a desaceleração deverá ser mais intensa no segundo semestre, quando os efeitos das contenções monetárias e fiscais devem afetar a atividade econômica com mais força. É nesse período também que o Itaú Unibanco espera alguma acomodação no mercado de trabalho. 

IPCA

O Departamento Econômico do Itaú Unibanco espera que a taxa de inflação medida pelo IPCA feche 2011 em 6,5% - na banda superior da meta de inflação. Para 2012, o banco trabalha com uma taxa menor, de 5,3%. Para o IGP-M, a previsão é de uma inflação de 6,1% neste ano e de 5,4% em 2012.

A taxa Selic, segundo as projeções do banco, deverá fechar em 12,25% ao ano em 2011 e repetir a taxa em 2012. A taxa de câmbio, segundo as estimativas do Itaú Unibanco, deve fechar este ano em R$ 1,55 e o próximo ano em R$ 1,65.

O saldo da balança comercial deve encerrar 2011 em US$ 15,6 bilhões e 2012 em US$ 4 bilhões. Já o saldo em transações correntes deverá fechar com déficit de 2,7% na proporção do PIB em 2011 e déficit de 3,7% em 2012.

Já a economia como um todo deve crescer 3,6% em 2011 e 2,8% em 2012. O Itaú Unibanco projeta ainda um superávit primário para este ano de 2,5% do PIB e de 1,9% em 2012.

Medidas Macroprudenciais

A previsão para o IPCA deste ano é uma das poucas variáveis que os economistas da instituição admitem algum pessimismo em relação às projeções do mercado, recolhidas pela pesquisa Focus. A visão geral dos especialistas é de que a economia já está em processo de desaceleração em resposta às medidas macroprudenciais adotadas pelo governo em dezembro de 2010.

Segundo o economista-chefe do banco, a inflação deve fechar próxima do teto da meta devido às pressões da inflação de serviços, e de resquícios da alta dos alimentos no começo do ano e dos combustíveis. Um fator a ser considerado, de acordo com Goldfajn, para o cenário de inflação deste ano é o aquecimento do mercado de trabalho e a expectativa de que os reajustes salariais deverão ser de, no mínimo, 7%, que deverá ser a taxa da inflação no acumulado de 12 meses no momento das negociações.

Com relação ao câmbio, os economistas do Itaú Unibanco projetam uma taxa de R$ 1,55 para 2011 e de R$ 1,65 para o ano seguinte. Essa previsão, de acordo com Goldfajn, não contempla aumentos de juros nos Estados Unidos neste ano. "O nosso cenário é de que a taxa de juros nos Estados Unidos comece a ser apertada no ano que vem e, quando eu digo apertar, significa sair do zero", afirmou o economista, acrescentando que a puxada de juros nos EUA não vai afetar de imediato o fluxo cambial para o Brasil, o que ocorrerá gradualmente.

(Texto atualizado às 17h28)

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