Eugene Hoshiko/AP
Eugene Hoshiko/AP

PIB da China cresce 10,3% e inflação sobe 3,3%

Resultado superou previsões de mercado, de 10,1%; os investimentos produtivos cresceram 24,5%

Agência Estado,

20 de janeiro de 2011 | 04h23

O crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) da China acelerou inesperadamente no quarto trimestre, a despeito de uma série de medidas de aperto tomadas por Pequim, e a inflação declinou em dezembro graças à moderação nos preços dos alimentos. O PIB chinês cresceu 9,8% no quarto trimestre em relação ao mesmo período de 2009, acima da taxa de 9,6% apurada no terceiro trimestre, informou o Escritório Nacional de Estatísticas. O resultado também ficou significativamente acima das expectativas dos economistas, que previam aumento de 9,2%.

No acumulado de 2010, o PIB da China cresceu 10,3%, acima da expansão de 9,2% verificada em 2009. Os economistas tinham previsto uma alta de 10,1%. Os números já haviam sido divulgados na quarta-feira no site da TV Phoenix, de Hong Kong, que não citou fontes.

O índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 4,6% em dezembro, abaixo dos 5,1% de novembro, que havia sido a inflação mais alta em mais de dois anos. A moderação da alta de preços dos alimentos, bem como a base de comparação elevada no ano anterior, contribuíram para a desaceleração da inflação, afirmaram os economistas, que previam aumento de 4,7%. Os dados da inflação também foram antecipados na quarta-feira pelo site da TV Phoenix.

Em 2010, o CPI acumulou alta de 3,3%, comparada a uma deflação de 0,7% em 2009, segundo o Escritório Nacional de Estatísticas. O dado ficou acima da meta anual do governo, de cerca de 3%. O índice de preços ao produtor (PPI, na sigla em inglês), indicador que serve de prévia da inflação futura, subiu 5,9% em dezembro, abaixo dos 6,1% de novembro. Os economistas tinham previsto alta de 5,5%. No ano, o PPI subiu 5,5%.

Para Ma Jiantang, diretor do Escritório Nacional de Estatísticas, a economia da China caminha em direção a um crescimento normal e sua expansão em 2010 assenta um bom alicerce para 2011. Ma observou que a economia chinesa evitou tanto o superaquecimento quanto um duplo mergulho. O desemprego no ano passado foi de 4,1% no país.

A alta do índice de preços ao consumidor, de 3,3% no ano passado, ficou basicamente em linha com a meta do governo, disse o diretor do órgão de estatísticas. A meta oficial era de cerca de 3%. Ma afirmou que a China vai manter em 2011 sua política macroeconômica estável, mas flexível.

Investimento

O investimento em ativos fixos (FAI, na sigla em inglês) nas áreas urbanas da China aumentou 24,5% em 2010, pouco menos que a alta de 24,9% no período de janeiro a novembro em comparação com igual intervalo de 2009.

O crescimento do FAI urbano, uma medida bastante observada dos gastos de capital na China, ficou ligeiramente abaixo da mediana das previsões de uma pesquisa da Dow Jones com 13 economistas, que apontava alta de 25%.

O FAI nacional, que é divulgado trimestralmente e inclui o investimento nas áreas rurais, aumentou 23,8% em 2010, comparado à alta de 24% no período de janeiro a setembro sobre o mesmo intervalo do ano anterior.

Produção de aço e ferro

A produção de aço da China subiu 9,3% em 2010, para 626,65 milhões de toneladas - maior nível histórico -, em comparação com o ano anterior, afirmou o Escritório Nacional de Estatísticas. Os analistas tinham previsto um aumento da produção para 581 milhões de toneladas.

A produção de aço cresceu 6,3% em dezembro, para 51,52 milhões de toneladas, em relação ao mesmo período do ano passado. Em bases mensais, a produção avançou 2,7%.

A produção de minério de ferro do país também registrou um novo recorde em 2010, subindo 21,6%, para 1,07 bilhões de toneladas, na comparação com o ano anterior, de acordo com o escritório. Em dezembro, a produção de minério cresceu 10,7%, para 98,21 milhões de toneladas, em comparação com o mesmo período de 2009.

O escritório afirmou que a produção de cobre da China cresceu 7,2% em dezembro, para o volume recorde de 444 mil toneladas, na comparação com o mesmo período do ano passado, e avançou 0,2% em relação a novembro. Em 2010, a produção de cobre subiu 12,2%, para 4,79 milhões de toneladas, em comparação com 2009.

Já as refinarias da China processaram pela primeira vez mais de 9.000 mil barris diários de petróleo em dezembro, um volume que pode aliviar as preocupações de que o aperto da política monetário promovido pelo governo chinês está reduzindo o apetite do país por produtos petrolíferos.

A produção das refinarias subiu 12,2% em dezembro, para 38,72 milhões de toneladas, ou 9,16 milhões de barris por dia, em comparação com o mesmo período do ano anterior, de acordo com o escritório de estatísticas. O volume produzido no mês passado superou o nível recorde de 8,95 milhões de barris por dia processado em novembro.

A produção subiu 13,4% em 2010, em comparação com 2009, para 422,87 milhões de toneladas, ou 8,5 milhões de barris por dia. As informações são da Dow Jones.

Com Clarissa Mangueira, da Agência Estado

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaPIBinflaçãogovernoprodução

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.