PIB do Brasil deve crescer abaixo do potencial em 2012, diz Fitch

Estimativa da agência é de que crescimento econômico do País seja de 3,2% no próximo ano

Álvaro Campos, da Agência Estado,

12 de dezembro de 2011 | 14h08

SÃO PAULO - A agência de classificação de risco Fitch rebaixou nesta segunda-feira, 12, sua previsão de crescimento para a economia do Brasil em 2011 para 2,8%, da estimativa anterior de 3,5%. Em seu relatório trimestral "Perspectiva Econômica Global", a agência afirma ainda que o PIB brasileiro deve crescer 3,2% em 2012.

"A economia brasileira desacelerou este ano devido à política monetária mais apertada, incluindo medidas prudenciais para controlar o crescimento do crédito e uma postura fiscal restritiva. O setor manufatureiro foi atingido pela força do real até recentemente e o fim de medidas de estímulo. Questões estruturais como a alta carga de impostos e a fraca infraestrutura estão dificultando a competitividade do setor", diz a Fitch no relatório.

Para o ano que vem, a previsão é que o Brasil cresça abaixo do seu potencial, enquanto os riscos de baixa continuarem. "O ímpeto do crescimento será prejudicado pela alta volatilidade financeira internacional, que afeta o câmbio, commodities e mercados de ativos domésticos, o que, por sua vez, atinge a confiança local", alerta a Fitch.

Mesmo assim, é a demanda doméstica que vai dar suporte ao crescimento no ano que vem. A agência aponta para o aumento do salário mínimo, medidas de estímulo monetário e o recente afrouxamento nas ações para controlar a oferta de crédito introduzidas em 2010. "Um pacote fiscal contracíclico não pode ser descartado se a desaceleração econômica for significativa", acrescenta.

A Fitch afirma ainda que a inflação deve encerrar 2011 perto do teto da meta, de 6,5%. Para o ano que vem, as expectativas de inflação continuam acima do centro da meta. "A indexação de certos preços ao salário mínimo torna difícil reduzir agressivamente a inflação no Brasil", analisa a agência. Mas ela lembra que, apesar da alta inflação, o Banco Central tem cortada a taxa básica de juros, devido aos receios com os impactos negativos da deterioração na economia global.

Desaceleração no crescimento global

A agência tambémafirma que o crescimento dos principais países desenvolvidos devedesacelerar para 1,3% este ano e 1,2% em 2012, com uma modestaaceleração em 2013, a 1,9%.

Comparada com as previsõesanteriores, divulgadas em outubro, a Fitch reduziu suas estimativaspara todo o horizonte abrangido, até 2013. A agência prevê umcrescimento global, com base nas taxas de câmbio do mercado, de 2,4% em2012 e 3,0% em 2013, ante projeções anteriores de 2,7% e 3,1%,respectivamente.

"A Fitch espera que o crescimento na zona doeuro se enfraqueça ainda mais, para apenas 0,4% em 2012, devido àsnovas medidas de austeridade fiscal e à deterioração nas condições dosmercados financeiros, gerando condições mais apertadas de crédito paraa economia mais ampla", diz no relatório Gergely Kiss, diretor daequipe de ratings soberanos da Fitch.

A agência afirma que levesrecessões são prováveis nos próximos trimestres na zona do euro. Masentre os quatro principais membros do bloco, apenas a economia daItália deve registrar contração em 2012, encolhendo 0,5%. "Entretanto,a chance de uma contração total na economia da zona do euro é agora deuma para três".

A recuperação nos EUA deve permanecer branda nocurto prazo, com um crescimento mais forte esperado a partir do segundosemestre de 2012. Mas essa tendência é moderada pela contínua fraquezado setor imobiliário, além do aperto fiscal, equivalente a cerca de 1%do PIB. A previsão de crescimento para 2012 foi mantida inalterada em1,8%. Para 2013 a projeção é de uma expansão de 2,6%.

A Fitchespera que o crescimento econômico dos BRIC (grupo formado por Brasil,Rússia, Índia e China) permaneça robusto, com expansão de 6,3% em 2012e 6,6% em 2013. "Não obstante, em linha com o ciclo econômico dosprincipais países desenvolvidos, China e Rússia devem desacelerar nospróximos anos. O Brasil e a Índia já experimentaram uma fortedesaceleração este ano e devem reconquistar parte da força em 2013".

Orelatório da Fitch aponta ainda que após o corte de 0,25 pontoporcentual na taxa básica de juros do Banco Central Europeu (BCE), quefoi reduzida para 1% na semana passada, todos os principais bancoscentrais do mundo estão com as taxas de juros nas mínimas recordes. "Emfunção da frágil perspectiva econômica global, a Fitch não espera umaperto monetário até o segundo semestre de 2012".

 

(Texto atualizado às 16h09)

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