PIB fraco levanta dúvidas sobre permanência de Mantega no governo

Crescimento de 0,6% ante o trimestre anterior veio abaixo das expectativas de analistas e do próprio governo, que acreditava em um número entre 1% e 1,3%

estadão.com.br e Agência Estado ,

30 de novembro de 2012 | 14h09

Texto corrigido às 16h20

SÃO PAULO - O crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB) no terceiro trimestre na comparação com o período anterior veio abaixo da expectativa do mercado. O resultado alimenta rumores sobre a possibilidade do ministro da Fazenda, Guido Mantega, deixar o cargo que ocupa desde 2006, desde o governo Lula. Em 2010, depois de eleita, Dilma Rousseff indicou seu nome para continuar na Fazenda.

Questionada se o cargo do ministro corre risco, a professora da PUC-RJ Monica Baumgarten de Bolle afirmou que sim, ressaltando que o PIB tem boas chances de crescer apenas cerca de 1% neste ano. Ao ser perguntada, em seguida, se seria possível então o governo ter um novo ministro no início de 2013, ela também respondeu de forma afirmativa: "Sim, é possível".

"A presidente Dilma Rousseff não vai querer entregar uma expansão média da economia menor do que a média do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, que ficou em 2,7%. E para que esse patamar seja superado, será necessário que o PIB suba 3,8% no próximo ano, o que é muito difícil de ocorrer", destacou.

"O PIB e os investimentos no terceiro trimestre apresentaram resultados caóticos", disse. Monica destacou que o PIB em 2013 deve avançar entre 2% e 3%. "Nesse cenário de economia crescendo bem abaixo do potencial, o Banco Central deverá baixar os juros em mais 100 pontos-base no próximo ano", acrescentou a professora da PUC-RJ.

As projeções do ministro da Fazenda passaram longe dos dados divulgados nesta sexta-feira pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em entrevista publicada ontem, Mantega reiterou a expectativa de que o PIB tivesse uma alta entre 1% e 1,3% no terceiro trimestre na comparação trimestral. Ja a prévia do PIB, dada pelo Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), projetava um crescimento de 1,15% no terceiro trimestre de 2012, em relação ao trimestre anterior - número também diferente do apurado pelo IBGE.

Comunicação truncada

O economista-chefe da Gradual Investimentos, André Perfeito, também comentou em relatório divulgado ao mercado nesta sexta-feira que há um boato muito forte que o ministro da Fazenda vá deixar o cargo nos próximos dias. "Mantega fez um trabalho correto num ambiente de extrema complexidade, não faço coro com os que querem ver sua cabeça numa bandeja de prata. Seria ilusão, mais uma vez, colocar no colo do ministro todos os erros do governo no campo econômico. É fácil criticar sentado fora da Esplanada", disse. Mas ponderou: "Isto não redime dos erros que cometeu e o principal é a comunicação truncada com o mercado. Em tempos tão líquidos isto e fatal. Agora temos que ter paciência, não há o que fazer. A demanda agregada está num patamar elevado e isto é um forte tonificante do investimento. Uma hora surtirá efeito".

Para o ex-ministro do Desenvolvimento Miguel Jorge, as dificuldades do País não seriam resolvidas com a troca do ministro da Fazenda, Guido Mantega, por causa do baixo crescimento econômico divulgado hoje. "O problema não é o ministro da Fazenda. Não acredito que a simples troca faça uma grande diferença", disse em resposta a jornalistas sobre a hipótese de mudanças na Fazenda após os dados frustrantes do PIB.

"Mantega tem a confiança da presidente Dilma", ressaltou sobre o ministro. Miguel Jorge afirmou que "o governo todo precisa tomar medidas" para melhorar o baixo desempenho econômico. "O resultado do PIB no terceiro trimestre não é uma surpresa. Era esperado pelas indicações mensais que apontavam que a economia não estava andando. Nós precisamos agir", declarou o ex-ministro após participar de evento em São Paulo promovido pela Câmara Americana de Comercio (Amcham).

Já Fernando Genta, economista-chefe da MCM, afirmou que o fraco desempenho do PIB no terceiro trimestre vai aumentar o debate no mercado sobre se o Banco Central voltará a cortar os juros em janeiro, na primeira reunião de 2013. "Este é o momento mais delicado do governo Dilma Rousseff na gestão da economia, com crescimento fraco em dois anos e alta inflação", destacou.

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