PIB Itaú Unibanco cai 0,2% em maio ante abril

Na comparação com o mesmo mês de 2009, no entanto, indicador apresentou crescimento de 7,7%

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

21 de julho de 2010 | 19h13

A economia brasileira medida Produto Interno Bruto calculado pelo Itaú Unibanco (PIBIU) caiu 0,2% em maio na comparação com abril, já livre das influências sazonais, mas apresentou crescimento quase chinês de 7,7% sobre o mesmo mês do ano passado, pela leitura dos dados originais. Na ponta, a queda registrada em maio é a segunda consecutiva, segundo o economista do Itaú Unibanco, Aurélio Bicalho. Em abril, o PIBIU caiu 0,4% (revisado de 0,10%) ante março e cresceu 9,1% (revisada de 9,2%) em comparação a igual mês de 2009.

"A segunda contração consecutiva do indicador foi influenciada, principalmente, pelo recuo de 0,7% da atividade 'outros serviços', pela queda de 0,3% na produção de energia elétrica e gás e pela ligeira redução, de 0,1%, da produção na indústria de transformação. A alta de 1,7% no setor de transporte e a expansão de 0,7% na construção civil foram insuficientes para evitar a queda da atividade econômica em maio", analisa o economista.

Ainda de acordo com Bicalho, apesar da queda, maio foi marcado por mais indicadores de atividade econômica em expansão do que em contração. O índice de difusão desses dados subiu de 48% em abril para 75% em maio. "Isso evidencia que fatores específicos contribuíram para o recuo da atividade econômica, em especial o fim dos estímulos à aquisição de veículos. As vendas de automóveis caíram 1,1% na comparação com abril, livre de efeitos sazonais, enquanto a produção de veículos automotores subiu 1,4% nesse mesmo tipo de comparação, elevando os estoques para níveis indesejados. Para ajustar os estoques, a produção deve continuar fraca por alguns meses", diagnostica o economista. Os números são da pesquisa mensal de comércio do IBGE.

No entanto, há sinais de diminuição do impacto de alguns fatores transitórios em junho, mas também evidências do surgimento de outros. Por exemplo, o impacto negativo da Copa do Mundo na produção. "A diminuição das horas trabalhadas tende a impactar a atividade produtiva de forma generalizada. Algumas estimativas econométricas, apesar da baixa robustez a mudanças de especificação, mostram que o efeito negativo da Copa do Mundo na produção industrial pode chegar a 0,8% na margem. Sob essa influência negativa, os primeiros indicadores de atividade econômica de junho voltaram a mostrar fraqueza disseminada.", afirma Bicalho.

Para ele, essa sequência de dados fracos pesará negativamente no PIB do segundo trimestre. "Nossas estimativas, ao longo do último mês, caminharam na direção de 0,5% de crescimento na comparação com o primeiro trimestre, livre de efeitos sazonais", diz. "Apesar de os dados correntes mostrarem uma redução da atividade econômica mais intensa e prolongada do que o antecipado, esperamos aceleração do crescimento ao longo do segundo semestre". Isso porque não houve mudança relevante nos fundamentos no ultimo mês. O crescimento da economia mundial continua incerto, mas a deterioração recente, seguida por revisões para baixo no crescimento de algumas economias importantes, já estava contemplada no cenário do Itaú Unibanco.

"No ambiente interno, a confiança dos consumidores continua em patamar elevado e os mercados de trabalho e de crédito sustentam expansão firme há vários meses, o que deve elevar o crescimento do consumo adiante. A elevada confiança dos empresários, as baixas taxas de juros e os altos níveis de utilização da capacidade instalada devem manter o investimento em rota de crescimento", avalia Bicalho, acrescentando que os gastos do governo continuam em expansão, sem mudança de trajetória em relação aos últimos meses.

Portanto, sustenta o economista, a demanda continua alimentada por impulsos, sendo o processo de ajuste da taxa de juros em implementação pelo BC e o fim da redução de alguns impostos os únicos desestímulos ao consumo adotados. "Por isso, continuamos esperando um crescimento mais forte da economia ao longo dos próximos trimestres", prevê o economista do Itaú Unibanco.

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