PIB potencial do Brasil está em 3,7%, diz OCDE

Segundo a entidade, o nível é melhor que o observado no início dos anos 2000, quando o PIB potencial do Brasil ficou em torno de 3% 

Fernando Nakagawa, correspondente da Agência Estado,

29 de maio de 2013 | 08h00

LONDRES - O Produto Interno Bruto (PIB) potencial do Brasil melhorou nos últimos anos e deve ficar em torno de 3,7% até 2017. A previsão consta do novo relatório "Economic Outlook" divulgado nesta quarta-feira pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). Segundo a entidade, o nível é melhor que o observado no início dos anos 2000, quando o PIB potencial do Brasil ficou em torno de 3%. A partir de 2018, porém, o indicador deve piorar.

No relatório divulgado nesta manhã em Paris, a OCDE diz que o PIB potencial do Brasil ficou em 3% entre os anos de 2001 e 2007. Após esse período, o número cresceu para 3,7% e deve ficar nesse nível no intervalo entre os anos de 2012 e 2017. Nesse período, a entidade estima que a economia brasileira crescerá a um ritmo pouco menor que o potencial: 3,3%. PIB potencial é o termo usado pelos economistas para determinar quanto um país pode crescer sem gerar pressões inflacionárias.

Com a melhor do PIB potencial brasileiro, o País está agora em nível igual à média mundial, que também está atualmente em 3,7%. O número nacional, porém, está bem abaixo da média dos países emergentes que estão fora da OCDE (África do Sul, Argentina, Brasil, China, Índia, Indonésia e Rússia), cuja média de PIB potencial é de 6,8%.

Após a melhora recente, a OCDE acredita que o PIB potencial brasileiro deve começar a cair a partir de 2018. Entre o período entre 2018 e 2030, a entidade estima 3,6%. Em seguida, entre os anos de 2031 e 2060, a OCDE prevê que o PIB potencial brasileiro cairá ainda mais para 2%.

China

A OCDE reduziu a previsão de crescimento econômico da China para 7,8% neste ano e 8,4% em 2014, em comparação com as estimativas anteriores de expansão de 8,5% e 8,9%, respectivamente.

No relatório de perspectivas econômicas divulgado hoje, a OCDE comentou que o crescimento da economia chinesa será "robusto, embora não espetacular" e será sustentado por maiores gastos com infraestrutura pública e social.

De todo modo, a OCDE afirmou que a produção econômica será bem mais robusta em economias que não fazem parte do grupo de 34 países do que nos países membros.

Emergentes

Economias emergentes continuam crescendo, mas com ritmo mais fraco e velocidades bem diferentes. A avaliação é do economista-chefe da OCDE, Pier Carlo Padoan. "Emergentes continuam fortes, mas o ritmo é um pouco mais fraco que o visto meses atrás. Há, ainda, muita diversidade entre os países", disse há pouco na apresentação da nova edição do "Economic Outlook", documento com projeções para a economia global.

Segundo o cenário traçado pela OCDE, a China deve liderar o crescimento do mundo emergente em 2013, com crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 7,8%. Em seguida, entre os grandes emergentes que estão fora da OCDE, aparece a Indonésia, com expansão prevista de 6% e Índia, com 5,3%. Entre os demais, todos crescerão bem menos: Brasil (2,9%), África do Sul (2,8%) e Rússia (2,3%).

Para 2014, os países devem ganhar ritmo, mostra a previsão de Pier Carlo Padoan. No próximo ano, a China também deve liderar a expansão, com 8,4%. Em seguida, estão Índia (6,4%), Indonésia (6,2%), África do Sul (4,3%) e Rússia (3,6%). Para o Brasil, a expectativa da OCDE é de crescimento de 3,5% em 2014, a pior previsão para os grandes emergentes que estão fora da OCDE.

Durante a apresentação, o economista da entidade não comentou as razões para a diversidade no ritmo das economias emergentes. Disse apenas que "são problemas diferentes" entre os vários países. "Temas que precisam ser cuidados caso a caso", disse, ao comentar que, geralmente, são temas macroeconômicos.

No documento divulgado nesta quarta-feira, a OCDE afirma que a melhora da infraestrutura e do sistema tributário poderia fazer com que o Brasil crescesse mais rapidamente. A entidade também critica o que chama de "manobras contábeis" realizadas pela equipe econômica para atingir a meta fiscal. Diz, ainda, que o aumento de tarifas de importação para alguns setores "deveria ser revisto".

"Medidas que reduzem a concorrência com os importados podem prejudicar o crescimento da produtividade no médio prazo e deveriam ser reconsideradas", diz o documento.

As informações são da Market News International.

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