Picanha e caipirinha fazem sucesso em feira de Paris

Paris, 21 - Os franceses e europeus são grandes consumidores de carnes nobres, mas poucos são os que conhecem a nossa picanha que acabou sendo mais apreciada do que o filé mignon, entrecorte e o contra filé, outros cortes mais conhecidos servidos no "Espaço Gourmet" do Brasil. Ali, durante uma semana ocorreu uma degustação preparada pela Churrascaria Barbacoa de São Paulo, mas cujos churrasqueiros eram gaúchos da gema. Entre um gole de caipirinha e um naco de carne, os franceses, uma grande parte homens do mesmo ramo de negócios, convidados especiais de frigoríficos brasileiros que participavam da promoção, insistiam em saber exatamente o tipo de corte do chamado "Brazilian Beef" que correspondia a nossa picanha, servida a gosto do país, "saignante" (sangrenta), quase crua. A picanha foi um dos produtos mais apreciados pelo grupo de provadores enviados também pelo chefe francês, Alain Ducasse, seis estrelas no guia gastronômico Michelin, três em cada um de seus dois templos gastronômicos, o de Paris no Hotel Plaza Athenée e o de Montecarlo, no Hotel de Paris. Brevemente a carne brasileira poderá ser incluída nos cardápios dos restaurantes Ducasse. Na hora do almoço, formavam-se filas junto ao "Espaço Gourmet" brasileiro, obrigando a responsável pela Barbacoa, Lucianne Carmo, a distribuir braceletes para identificar os convidados. Muitos, entre eles o industrial François Dumont, que já esteve no Brasil não escondia uma certa decepção, pois havia vendido a idéia a seus amigos que iriam conhecer o sistema do rodízio e não participar de uma simples degustação. "Eles estavam certos que iriam comer carne até estourar", afirmou, mas acabaram afogando a mágoa bebendo duas ou três caipirinhas, o aperitivo brasileiro que começa a se popularizar na França. Um deles, o estudante universitário Jean Osman, não hesitou em comentar na sua língua: "C'est drole, mas c'est bon quand même" (É gozado, mas é bom)". E lá se foram mais três caipirinhas... Outro degustador chegou a identificar um gosto de carne de búfalo no produto brasileiro, mas durante três dias foi visto na fila pacientemente esperando sua vez pelo "Brazilian Beef". Segundo Lucienne Carmo, cerca de mil pessoas passaram pela churrascaria brasileira para a degustação de carne durante a semana e 600 caipirinhas diárias foram servidas, juntamente com 500 quilos de carne vinda do Brasil. A tal ponto que nesta quinta-feira, último dia da feira, não havia mais picanha para ser servida, pois a estimativa foi um pouco aquém da realidade. Outro problema foi o da churrasqueira que teve de ser improvisada. Por motivo de segurança, gás e carvão foram banidos do espaço da feira, razão pela qual a Barbacoa teve que conceber uma churrasqueira elétrica, um modelo que reduz a fumaça, muito fotografada, inclusive pelos nossos concorrentes argentinos, cujo ministro da Agricultura, Miguel Campos, participou de uma das degustações. Nesse período, quem também recebeu boas ofertas foram os responsáveis da Churrascaria Barbacoa, quatro ou cinco convites de parceria para se instalar em Paris, Bruxelas, Genebra e até no Cairo. As propostas, segundo Lucienne Carmo estão em estudos, mas há conversas mais adiantadas com os franceses. Pratini de Moraes já está prometendo aumentar ainda mais o "Espaço Gourmet" no próximo ano, pois ele faz parte de sua estratégia de marketing prioritária, após ter conquistado o primeiro lugar nas exportações mundiais, aumentando o valor agregado do produto. (fim)

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.