Pilgrim's Pride, da JBS, compra Moy Park, do mesmo grupo, por US$ 1,3 bi

Pilgrim's Pride, da JBS, compra Moy Park, do mesmo grupo, por US$ 1,3 bi

Segundo o presidente da Pilgrim's, acordo dará à empresa acesso aos atraentes mercados da Europa; negócio faz parte do plano de venda de ativos da JBS

Renata Agostini, O Estado de S.Paulo

11 Setembro 2017 | 10h55

Em meio à insegurança gerada pela prisão de Joesley Batista, que deu novo combustível à crise vivida pela empresa, a JBS tenta seguir com os planos para reerguer seus negócios. A empresa anunciou ontem a venda da britânica Moy Park para a Pilgrim’s Pride, companhia americana também controlada pela JBS. A operação ajudará a multinacional de alimentos a melhorar o perfil de sua dívida, reduzindo vencimentos no curto prazo. O montante bilionário que deve na praça é uma das principais preocupações da cúpula da JBS e de críticas por parte dos investidores. Ao final de junho, a empresa acumulava R$ 62 bilhões em dívidas.

Como a compra foi feita por uma subsidiária da própria JBS, o efeito no endividamento total da empresa será positivo, mas bastante limitado. Isso porque, para tornar-se dona da Moy Park, a Pilgrim’s pagará US$ 1 bilhão à JBS. A transferência, prevista para ocorrer nas próximas semanas, reduzirá o endividamento da companhia, já que o caixa será reforçado. Ocorre que, para concretizar a operação, a empresa americana terá de pegar dinheiro emprestado no mercado e isso acabará aumentando a dívida da JBS por tabela – a companhia brasileira consolida os resultados da Pilgrim’s em seu balanço.

Caso optasse por vender a Moy Park para um concorrente, a redução do endividamento seria imediato. O efeito positivo da transação não está, portanto, no que ela representará de abatimento da dívida. Mas na possibilidade de trocar dívidas caras de curto prazo, que poderão ser quitadas com o dinheiro proveniente da Pilgrim’s, por financiamentos mais baratos e com vencimento mais à frente pegos agora pela subsidiária americana no mercado.

Um executivo da empresa diz que a operação pareceu vantajosa para a JBS, já que a cúpula da companhia de alimentos havia colocado a Moy Park a venda em junho a contragosto. A avaliação era que a empresa britânica dava bons resultados e era importante para a JBS manter presença na Europa. Naquele momento, contudo, em que a delação dos irmãos Joesley e Wesley Batista colocavam em xeque o futuro da empresa, era necessário levantar dinheiro.

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De lá para cá, afirma essa fonte, os resultados operacionais têm sido animadores, especialmente no exterior. A aposta é que a geração de recursos proveniente da venda dos produtos da JBS compensará a ausência da injeção financeira resultante da venda da Moy Park para um rival. Nos cálculos do alto escalão da JBS, a redução do endividamento virá até o fim do ano a partir da combinação de geração de caixa e de venda de ativos. A empresa já passou a frente a JBS Mercosul por US$ 300 milhões, sua fatia na Vigor e ainda tenta se desfazer da Five Rivers Cattle Feeding e de algumas fazendas. O objetivo total é levantar R$ 6 bilhões.

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Aposta. A expectativa é que a transferência da Moy Park para a Pilgrim’s gere US$ 50 milhões em sinergias por ano nos próximos dois anos, afirmou a empresa americana. Além dos efeitos financeiros, a JBS acredita que a operação fortalece seus planos para realizar a abertura de capital de suas operações estrangeiras na Bolsa de Nova York.

Apesar da turbulência, a companhia acalenta o desejo de realizar a operação no ano que vem. O lançamento de ações da JBS Foods Internacional foi anunciada em 2016, mas abortada pela companhia diante das revelações da delação premiada de seus donos, que confessaram à Justiça terem cometido uma série de crimes. Parecia enterrada, mas Wesley Batista afirmou recentemente que os planos estavam mantidos.

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