Piora de IPCA na Focus reflete comunicado do Copom, diz Banco ABC

De acordo com economista-chefe da instituição, comunicado do BC soma-se a piora da visão do mercado em relação ao futuro da inflação

Francisco Carlos de Assis, da Agência Estado,

25 de julho de 2011 | 14h15

A elevação na Pesquisa Focus da mediana das expectativas dos analistas do mercado financeiro em relação ao fechamento do IPCA no próximo ano, de 5,20% para 5,28%, é uma reação dos agentes econômicos à retirada da expressão "ajuste por período suficientemente prolongado" do comunicado do Copom. A avaliação é do economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luís Otávio de Souza Leal. De acordo com ele, a esta atitude do BC soma-se a piora da visão do mercado em relação ao futuro da inflação, já que uma das principais preocupações dos analistas, a área fiscal para 2012, só deve piorar.

O IPCA-15, de acordo com o economista do ABC Brasil, até veio bem ao apresentar variação de 0,10% em julho, ante 0,23% em junho. Mas não dá para esperar arrefecimento da inflação em 2012, segundo ele, com uma massa salarial crescendo mais de 6% ao ano em termos reais e inflação de serviços em quase 9% no acumulado de 12 meses, ainda mais quando se está perto da concentração de dissídios das principais categorias profissionais. Além destas pressões, Souza Leal acrescenta na conta outro fator já contratado para o ano que vem: o aumento do salário mínimo de 14% em termos nominais e 7,5% em termos reais.

Tudo isso, de acordo com o economista, ocorre num período em que o Banco Central retira do comunicado a expressão que dava ao mercado a certeza de que a taxa de juros continuaria a subir, o que só tende a deteriorar as expectativas inflacionárias para 2012.

"Não é certo afirmar que, pelo fato de ter retirado a expressão 'ajuste por período de tempo suficientemente prolongado', o BC não vai aumentar juros em agosto. Mas para o mercado o compromisso com a alta de juros não existe mais", afirma.

De acordo com Souza Leal, a avaliação do mercado é de que o BC está dando ao cenário externo uma atenção exagerada. "Ninguém acha que os EUA, por exemplo, vão dar calote na dívida", diz o economista do ABC Brasil, para quem o BC está com medo de ser atropelado pelos acontecimentos externos, como em 2008. "Por isso é que ele retirou a expressão sobre o ajuste do comunicado. É uma forma de deixar as portas abertas para tomar qualquer decisão", diz.

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