Plano de aviação pode fazer Azul cancelar compras da Embraer

A Azul ameaça deixar de comprar novos aviões da Embraer e suspender as encomendas dos jatos de segunda geração se as mudanças feitas no plano de aviação regional forem aprovadas no Congresso. O texto está na pauta para ser votado nesta terça-feira, 11, pela comissão mista. 

Marina Gazzoni, Eduardo Rodrigues, O Estado de S. Paulo

10 de novembro de 2014 | 20h29

O texto do senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), relator da comissão mista criada para analisar o projeto, prevê que as empresas recebam subsídio para 50% dos assentos oferecidos em rotas regionais. Na versão original, a proposta era subsidiar metade dos assentos, limitados a 60 lugares. 

“Sem limite de assentos, ninguém voará para cidades pequenas. É um ‘antiplano’ de aviação regional”, disse o presidente da Azul, Antonoaldo Neves. Segundo ele, a nova medida incentiva as empresas a investir em grandes aviões para voar para cidades médias do interior, como Joinville (SC) e Maringá (PR) – para onde empresas já voam mesmo sem ajuda financeira.

Neves diz que a estratégia de expansão da Azul será completamente revisado se esse ponto não for revisto. A empresa tem oito aeronaves da Embraer já compradas e pretendia adquirir mais oito para elevar em 16 unidades sua frota em 2015 e atender 20 novas cidades. 

Se a versão do relator for aprovada, a Azul diz que pedirá à Embraer para atrasar as entregas. “Será mais interessante vender dez aviões da nossa frota atual e trocar por modelos maiores, como da Boeing ou Airbus”, disse o executivo.

O presidente da Azul diz que a empresa avalia desistir da aquisição dos 50 jatos de segunda geração da Embraer, modelo que chega ao mercado em 2018. A encomenda é estimada em US$ 3,1 bilhões, considerando o valor de pedidos firmes e opções a preço de tabela. “Temos uma carta de intenção assinada, mas não o contrato.” A ação da Embraer caiu 5,68% ontem, a maior queda do Ibovespa.

A Azul faz atualmente 850 voos diários para cerca de 100 cidades. A estimativa da empresa é adicionar 122 frequências diárias caso o plano regional volte à versão original. Se o texto do senador Ribeiro passar, a ordem é cortar 100 voos. Neves elencou ao Estado as 20 cidades que deixarão de ser atendidas. “As duas primeiras serão São José dos Campos e Araraquara. Perdemos R$ 5 milhões nesses destinos só este ano”, disse. “Não estou blefando. É pagar para ver.”
Apesar das ameaças da Azul, Ribeiro promete brigar para aprovar o texto que retira o teto para o subsídio ao setor. “As ameaças da Azul não ajudam em nada. Atitudes extremas não irão pressionar o relator”, disse. 

De acordo com Flexa Ribeiro, o texto foi alterado para estimular a concorrência de mais empresas em rotas hoje operadas por poucas companhias. “Da forma como a MP chegou até nós, parecia que o texto havia sido feito por encomenda para a Azul, mas nós defendemos o livre mercado, independente do tamanho da aeronave. O objetivo do plano de aviação regional é aumentar as rotas e frequências, com redução das tarifas”, avaliou.

Frota. Enquanto a Azul voa no Brasil com aviões ATR e Embraer, com até 118 assentos, TAM e Gol usam aeronaves de até 187 assentos. Em nota, a Gol disse que “vê como positivas as novas diretrizes do texto”. 

Para a presidente da TAM, Claudia Sender, a retirada do limite de subsídio torna o projeto “isonômico”. Ela ressaltou que a empresa quer ampliar sua malha regional, mas escolherá uma frota que faça sentido para o negócio, independentemente do plano do governo. “A TAM não comprará aviões pensando em subsídios. O plano está previsto para durar cinco anos. É metade da vida útil de uma aeronave.”

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