Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

Plano de negócios da Petrobrás prevê corte de 25% dos investimentos de 2017 a 2021

Novo plano 2017-2021 prevê corte nos investimentos totais de 25%, para US$ 74,1 bilhões e US$ 19,5 bilhões em venda de ativos

Luana Pavani e Fernanda Nunes, O Estado de S.Paulo

20 Setembro 2016 | 08h46

SÃO PAULO - A Petrobrás anuncia seu plano de negócios 2017-2021, que traz como destaques das metas financeiras o corte de investimentos e redução do nível de endividamento, como já era esperado pelo mercado.

A métrica financeira principal é de reduzir em 2018 a alavancagem para 2,5 vezes a relação dívida líquida sobre o Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), na comparação com o indicador de 5,3 vezes anotado em 2015.

Ontem, o conselho de administração aprovou o documento, que só foi divulgado na manhã desta terça-feira, 20. Antes disso, o presidente da companhia, Pedro Parente, havia antecipado que o plano teria dois pilares, o financeiro e o de segurança, em entrevista exclusiva ao Broadcast, sistema de notícias em tempo real do Grupo Estado. Nesse quesito, a meta é reduzir em 36% a Taxa de Acidentados Registráveis  por milhão de homens-hora, de 2,2 em 2015 para 1,4 em 2018.

O novo plano prevê corte nos investimentos totais de 25%, para US$ 74,1 bilhões ante US$ 98,4 bilhões da última revisão do plano 2015-2019, ocorrida em janeiro passado. O último plano, divulgado em junho de 2015, previa investimentos totais de US$ 130 bilhões, mas passou por revisões e então ficou 30% menor.

"A carteira de investimentos do Plano prioriza projetos de exploração e produção de petróleo no Brasil, com ênfase em águas profundas", diz o documento.

Na área de Exploração & Produção, a Petrobrás investirá US$ 60,6 bilhões, sendo 76% para desenvolvimento de produção, 11% para exploração e 13% para suporte operacional. Já as áreas de refino e gás natural receberão investimentos de US$ 12,4 bilhões, metade para continuidade operacional dos ativos e metade para  projetos relacionados ao escoamento da produção de óleo e gás.

A empresa explica ainda que essa redução do volume de investimento não terá  grande impacto nas metas operacionais, e o plano também prevê a adoção de novas medidas para redução de custos. "Dentre essas ações destaca-se a implantação de novas ferramentas de gestão, como o Orçamento Base Zero (OBZ), a gestão diferenciada de contratos e de pessoal". A meta é reduzir em 18% os gastos operacionais gerenciáveis na comparação com valor estimado caso nenhuma iniciativa fosse implementada.

Desinvestimentos.  A Petrobras conta com US$ 19,5 bilhões de ganhos com a venda de ativos e parcerias nos anos de 2017 e 2018. A meta é inferior à que havia sido estipulada pelo ex-presidente da empresa, Aldemir Bendine, que contava, no mesmo período, com US$ 42,6 bilhões vindos da reestruturação dos negócios, desmobilização de ativos e desinvestimentos. Já o plano para 2015-2016 era de US$ 15,1 bilhões.

Na apresentação que a companhia fará a partir das 10h desta terça-feira, sobre o plano, consta que o novo programa de parcerias e desinvestimentos "alavanca investimentos adicionais de US$ 40 bilhões nos próximos 10 anos", sem considerar investimentos de fornecedores no aumento da capacidade produtiva.

Entre os negócios dos quais a Petrobrás pretende se desfazer, os destaques são as participações acionárias em empresas petroquímicas e os ativos de produção de biocombustíveis, de fertilizantes e de distribuição de GLP. Nestes casos, a intenção é abandonar "integralmente" as atividades.

Além disso, a empresa quer reduzir os riscos de sua atuação com a formação de parcerias, inclusive no refino de petróleo para a produção de combustíveis. Os ativos de energia serão reestruturados, com a consolidação dos "ativos termelétricos e demais negócios desse segmento, buscando a alternativa que maximize o valor para a empresa", segundo o plano de negócios divulgado há pouco.

Na área de gás natural, a intenção é alinhar a atuação à evolução regulatória, "garantindo a monetização da produção própria e adequando a participação na cadeia de gás natural como combustível de transição para o longo prazo".

Preço. A Petrobras utiliza como premissa no seu plano de negócios e gestão 2017-2021 preços "competitivos" para os derivados no Brasil e crescimento do mercado interno de derivados em 5,2% no período. A companhia considera como preço médio do petróleo Brent (ano base 2016) US$ 48 o barril (bbl) para 2017, e taxa média de câmbio de R$ 3,55. Já para 2018, o barril seria de  US$ 56 e o câmbio, R$ 3,71. Em 2019, os valores previstos são de US$ 68 e R$ 3,72, respectivamente, continuando para US$  71 tanto em 2020 quanto 2021, e o câmbio em R$ 3,74 em 2020 e R$ 3,78 em 2021.

 

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