Plano de reformas da China gera dúvidas entre economistas

Comunicado divulgado pelo Partido Comunista foi considerado muito vago

Agência Estado

12 de novembro de 2013 | 14h17

PEQUIM - Os líderes da China endossaram nesta terça-feira, após reunião de quatro dias, uma ampla plataforma de políticas que estabelece um papel "decisivo" para os mercados e direitos mais amplos para a vasta população rural do país, embora tenham reiterado também o controle de Pequim sobre a segunda maior economia do mundo.

O comunicado divulgado mais cedo pelo Partido Comunista chinês, no entanto, foi muito vago e levou alguns economistas a questionar se a liderança do país têm vontade política de seguir adiante com reformas para reduzir o tradicional domínio do Estado e revigorar a economia em desaceleração.

O encontro encerrado hoje tinha como objetivo definir diretrizes para reformas econômicas nos próximos meses e anos, as primeiras desde que Xi Jinping assumiu como presidente da China, há um ano.

O comunicado não trouxe todos os detalhes do plano adotado por Xi, pelo primeiro-ministro, Li Keqiang, e por outros líderes do primeiro escalão. A reunião em si foi convocada para buscar um consenso entre os comandantes do partido, do governo e dos militares.

Um documento de políticas mais elaborado será divulgado nos próximos dias. O comunicado, porém, traz uma prévia das prioridades de Pequim à medida que novas medidas são elaboradas. Para analistas, a mensagem envia sinais conflitantes.

"Essa foi uma oportunidade para o partido fornecer uma visão clara de qual direção esse país está seguindo", comentou Mark Williams, economista da Capital Economics. "Se eles tivessem feito isso, acredito que teria um grande impacto no comportamento das autoridades, mas não acho que a orientação tenha sido clara".

Faltaram menções relacionadas ao controle da China sobre as taxas de juros e fluxos de capital e esforços para reformar o sistema de cadastro de famílias, que nega benefícios sociais a trabalhadores que migraram das áreas rurais para as urbanas. O comunicado, por outro lado, defende mais reformas financeiras e fiscais.

O comunicado também foi dúbio em relação à questão das estatais chinesas, que controlam indústrias como as de energia, infraestrutura e telecomunicações e que são criticadas por economistas por impedir a iniciativa empresarial. Os líderes reconheceram que tanto as estatais quanto as empresas privadas "são importantes pilares do desenvolvimento econômico e social" da China e defenderam a concorrência justa, a liberdade de escolha dos consumidores e a eliminação de barreiras competitivas.

Ao mesmo tempo, o documento afirma que as reformas "devem evidenciar o papel relevante da economia estatal", sugerindo que as gigantescas estatais chinesas continuarão exercendo forte influência. Fonte: Dow Jones Newswires.

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