Política fiscal dos EUA precisa ser ‘reiniciada’, diz Fed de Dallas

Richard Fisher, presidente do Federal Reserve Bank de Dallas, afimou que solução temporária para questão do déficit fiscal pode ter efeitos destrutivos para a economia dos EUA

Sergio Caldas, da Agência Estado,

27 de novembro de 2012 | 10h06

BERLIM - O presidente do Federal Reserve Bank de Dallas, Richard Fisher, alertou hoje que uma eventual solução temporária para o "horrível" déficit fiscal dos EUA, que não deixe claras para as empresas as políticas fiscal e regulatória do país, pode ter efeitos destrutivos para a economia norte-americana.

Em discurso durante conferência promovida pelo Levy Institute, Fisher disse que o setor empresarial dos EUA está numa "posição defensiva". Segundo o dirigente do Fed, se os líderes norte-americanos apresentarem uma saída apenas provisória para a combinação de aumentos de impostos e cortes de gastos conhecida como "abismo fiscal", previsto para entrar em vigor em 1º de janeiro, o gesto poderá ter impacto sobre a economia.

Para Fisher, as políticas fiscal e regulatória dos EUA estão "paradas num passado pré-globalização" e devem ser "totalmente reiniciadas".

A política de juros do Fed, o banco central norte-americano, está perto de zero e, nos últimos anos, seus membros introduziram uma série de medidas para compras de ativos com o objetivo de manter as taxas de juros baixas, levando o balanço da instituição a ultrapassar US$ 3 trilhões. No discurso, Fisher afirmou que a inflação continua sob controle nos EUA e que a questão do desemprego continua sendo a maior preocupação no âmbito econômico.

"Eu não acredito que a inflação será a consequência inevitável" da rápida elevação do balanço do Fed, disse Fisher. De qualquer forma, "logo precisaremos decidir e sinalizar aos mercados quando (a política monetária extremamente acomodatícia) chegará ao fim e, depois, quando será retirada."

Fisher disse ainda que a economia dos EUA tem tido uma recuperação irregular desde que saiu da recessão em 2009, com taxa de desemprego próxima de 8%. "Estou preocupado com os trabalhadores sem emprego, desanimados", comentou. Ele notou, por outro lado, que as empresas norte-americanas estão mostrando seu melhor desempenho em muitos anos. As informações são da Dow Jones.

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