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Porto Capital, da Porto Seguro, terá R$ 400 milhões para comprar empresas

Fundo de seguradora está finalizando captação com meta de adquirir fatia minoritária em médias empresas; gestores estão em conversas avançadas com companhias que atuam no mercado pet, em rastreamento de veículos e em tratamento de água

Mônica Scaramuzzo, O Estado de S.Paulo

27 de agosto de 2016 | 05h00

A Porto Capital, braço de investimento criado pela seguradora Porto Seguro para a compra de participações em empresas, está em fase final de captação de R$ 400 milhões para investir em companhias de médio porte. Os aportes em aquisições de participações minoritárias começarão a partir de janeiro, afirmaram ao ‘Estado’ Aníbal Messa e Frederico Mesnik, cogestores do fundo.

A gestora já está em conversas avançadas com pelo menos três empresas para fazer esses aportes. Duas delas têm faturamento de cerca de R$ 60 milhões – uma atua no segmento de produtos para pets e a outra em rastreamento de veículos. A terceira companhia é de tratamento de água e tem receita de cerca de R$ 100 milhões.

Ao Estado, Messa (um dos primeiros investidores do site Buscapé) e Mesnik (ex-Humaitá Investimentos e BTG Pactual) disseram que estão à procura de empresas de porte médio, com faturamento entre R$ 20 milhões e R$ 200 milhões. “A ideia é tornar essas empresas alvo de cobiça dos bancos da Faria Lima”, afirmou Messa.

Com o aporte nessas empresas, a expectativa é que as investidas ganhem musculatura para se tornar alvo de consolidação com outros grupos e até mesmo atingirem um patamar suficiente para irem, sozinhas, ao mercado de capitais.

Tendência. Uma das maiores seguradoras do País, a Porto Seguro decidiu seguir o mesmo caminho de outras concorrentes internacionais que também investem em compra de participação de ativos, como o fundo Ardian, da francesa Axa, por exemplo. Os dois gestores são sócios da Porto Seguro, que detém 60% desse novo negócio.

Os principais segmentos que deverão ser investidos pelo fundo da Porto Capital são os de serviços financeiros, tecnologia, saúde, educação e consumo qualificado (não ligado ao varejo de margens baixas). Um mapeamento feito pelos cogestores indica um universo de 22 mil empresas no País com atuação nesses segmentos, de um total de 46 mil médias empresas.

Mesnik diz que o portfólio da gestora deverá ter de seis a oito empresas investidas a partir dessa primeira captação. A fatia da fundo deverá ser de 20% a 35%, o que permite aos gestores ter assento no conselho dessas companhias e participar mais ativamente da gestão estratégica do negócio. “Queremos investir em empresas que tragam inovação, mas que não sejam consideradas uma startup. A ideia é manter o DNA do empreendedor no negócio”, afirmou Messa.

Expansão. O foco, segundo eles, é fazer aportes para que as companhias investidas possam expandir suas operações. “Os recursos aportados não deverão ser destinados como crédito para empresa. Ou seja, não procuramos empresas endividadas”, disse Mesnik. O período de permanência do fundo no negócio será de até cinco anos.

Embora o momento atual, com várias empresas em dificuldades financeiras, ofereça um cardápio maior de companhias a serem investidas, as escolhas do fundo – que não quer errar na largada – serão concentradas em empresas contracíclicas, que atuam em segmentos menos afetados pelas turbulências de mercado

Mesnik acredita que o atual cenário é o melhor dos últimos 20 anos para os potenciais investidores que apostam no mercado brasileiro.

A expectativa da Porto Capital é voltar ao mercado em 2017 para captar mais recursos de terceiros com a meta de formar novos fundos.

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