Porto de Rio Grande deve bater recorde em movimentação de carga

São Paulo, 29 - O Porto do Rio Grande (RS) deve ultrapassar até o fim do ano seu recorde histórico em movimentação de carga. O superintendente do porto, Vidal Áureo Mendonça, acredita que o movimento deve superar 22 milhões de toneladas, mais do que o recorde histórico anterior, de 21,4 milhões de toneladas, obtido no ano passado. O crescimento foi puxado pelas exportações e pelo deslocamento de veículos e contêineres. Segundo Mendonça, a meta da superintendência do porto para 2005 é alcançar o volume inédito de 24 milhões de toneladas. Rio Grande é atualmente o segundo maior porto do Brasil em carga de alto valor agregado e contêineres, atrás apenas do Porto de Santos (SP). Até o fim de 2005, serão investidos cerca de R$ 20 milhões de recursos do governo federal para ampliar a profundidade do porto gaúcho. Atualmente, Rio Grande tem 12 berços de atracação de navios com 40 pés de profundidade (cerca de 13 metros) e outros sete berços com 30 pés (cerca de 10 metros). A intenção é elevar o calado dos sete berços para 40 pés. Segundo Mendonça, com as águas mais profundas, o navio pode manobrar melhor e receber mais carga. A elevação de 30 para 40 pés significará um aumento de 20 mil toneladas de carga por navio. O governador do Rio Grande do Sul, Germano Rigotto, anunciou este ano a instalação do estaleiro Aker-Promar em Rio Grande, com investimentos de US$ 100 milhões para fabricar navios de grande porte. O município também receberá o estaleiro Rio Grande (Transnave), que planeja investimentos de US$ 30 milhões. Segundo Mendonça, as obras de ambos os empreendimentos devem começar em março. Nos dias 24 e 25 de janeiro serão feitas audiências públicas para discutir o licenciamento ambiental dos estaleiros. De janeiro a novembro, o porto gaúcho movimentou 20.778.002 de toneladas de carga, 3,81% a mais do que em igual período em 2003. O porto gaúcho é o vice-campeão nacional em movimento de contêineres. Mais uma vez, perde somente para o porto paulista. De janeiro a novembro, o porto registrou uma expansão de 9,6% no movimento de contêineres, para 559.272 toneladas. Ou seja, antes do fim do ano o número de contêineres já havia ultrapassado o total de 510.247 verificado em 2003. De janeiro a novembro, Rio Grande movimentou 12.653.522 toneladas no fluxo de exportação, 3% a mais do que no mesmo período em 2003. No fluxo de importação, o movimento atingiu 8.122.480 toneladas até novembro, num aumento de 5% frente aos primeiros 11 meses de 2003. De acordo com estatísticas da Superintendência do Porto do Rio Grande, os maiores aumentos foram obtidos na movimentação de trigo e milho e em veículos, especialmente tratores e colheitadeiras. Foram exportadas 1.062.193 toneladas de trigo nacional pelo porto, um crescimento de 5,370% frente às 19.418 toneladas embarcadas no ano passado. "Os exportadores brasileiros de trigo descobriram importantes nichos de mercado na Itália e países árabes, daí o crescimento dos embarques desse produto", explica o superintendente. Outro destaque foi o milho, com 231.73 toneladas exportadas até novembro, 125% a mais do que em igual período em 2003. Segundo Mendonça, o porto deverá registrar uma diminuição nas exportações de soja este ano por causa das restrições estabelecidas pela China ao produto brasileiro. "Esperamos que no ano que vem os embarques de soja aumentem novamente". O Porto de Rio Grande movimentou de janeiro a novembro 3.387 tratores, um crescimento de 724% sobre o mesmo período em 2003. Também foram exportadas 706 colheitadeiras até novembro, 129% a mais do que no ano anterior. No dia 22 de dezembro, o porto gaúcho bateu seu recorde histórico de embarque de colheitadeiras, com a exportação de 165 veículos da Massey Ferguson e 40 da John Deere. O porto é atualmente o maior exportador de maquinários agrícolas do Brasil, tendo como principal destino os EUA e países da América do Sul. Além disso, o porto também exporta veículos da General Motors produzidos em Gravataí.

Agencia Estado,

29 de dezembro de 2004 | 12h17

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