Divulgação/Porto
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Porto tira 'Seguro' do nome e lança banco, mirando atuação em vários setores

A mudança de estratégia dará mais independência para marcas próprias; a área de seguros será Porto Seguros, a de Saúde será Porto Saúde, e a de serviços financeiros ganha o nome de Porto Seguro Bank

Matheus Piovesana, O Estado de S.Paulo

12 de abril de 2022 | 11h43

Após quase oito décadas, a Porto Seguro alterará sua marca e passará a se chamar apenas Porto. A mudança foi anunciada nesta terça-feira, 12, no evento para investidores da companhia chamado Porto Day. A alteração do nome, como também fez a Via Varejo, que virou "Via", vem junto com ambições de ampliar a atuação da Porto em diferentes setores, como o bancário. Com isso, a companhia anunciou o lançamento do Porto Seguro Bank, que reúne os produtos e serviços financeiros já oferecidos o que – segundo a própria empresa – já o coloca entre os 15 maiores bancos digitais do País.

"Temos muita clareza da nossa proposta de valor, mas percebemos que falta sermos reconhecidos por essa pluralidade de soluções para clientes e para empresas", disse o presidente do conselho de administração da companhia, Bruno Garfinkel. "A partir de hoje, a Porto Seguro é Porto." 

A alteração de nome e de estratégia transforma a empresa Porto Seguro em uma espécie de holding que abrigará outras companhias. Os negócios da empresa ganharão marcas próprias, com estrutura e maior capacidade de crescimento individual. Sendo assim, a área de seguros será Porto Seguros; a de Saúde, Porto Saúde; e a de serviços financeiros, Porto Seguro Bank. 

Trata-se de um movimento que a empresa já vem fazendo há dois anos, especialmente para ampliar e fidelizar a sua base de clientes, segundo Garfinkel. Não por acaso, a sua área de serviços tem ganhado cada vez mais participação dentro da receita da empresa e isso deve crescer ainda mais. Em entrevista recente ao Estadão, o presidente da companhia, Roberto Santos, afirmou que o plano é que a área de serviços represente 10% dos negócios até 2025. 

Para se ter ideia do tamanho do crescimento que será necessário, essa área representou 1,63% de toda a receita da companhia no ano passado, que foi de R$ 21,5 bilhões. Ou seja, em um cenário em que a receita da companhia se mantivesse no mesmo patamar, a área teria que aumentar mais de seis vezes.

Para conseguir dar conta desse crescimento, a Porto tem ido às compras. Em janeiro deste ano, a companhia fez um aporte na Plugify, startup que atua no segmento de hardware como serviço e oferece equipamentos como computadores, notebooks e celulares para empresas. Já em junho do ano passado, a companhia pagou R$ 165 milhões por 50% do negócio da ConectCar, de tags de pedágios e estacionamentos. Outras estão no radar, de acordo com Santos, e que servirão até para “impregnar conceitos disruptivos dentro da empresa” na visão do executivo. 

Um novo banco

Em um período de testes há alguns meses, o banco digital Porto Seguro Bank faz a sua estreia oficial com 3,5 milhões de clientes, receita anual de R$ 3,6 bilhões e ativos de crédito que somam R$ 13 bilhões. Os atuais clientes dos produtos financeiros da empresa, como o cartão, serão migrados para o Porto Seguro Bank. A conta digital está em fase beta, ou seja, de testes das funcionalidades.

"Temos produtos e serviços de banco e crescemos de maneira consistente", afirmou o presidente da vertical, Marcos Loução. Segundo ele, todas as soluções financeiras foram reestruturadas, e poderão ser acessadas através de um aplicativo para celulares. A companhia terá uma conta digital, com cartão e outras funcionalidades, semelhante ao que outros bancos digitais já fazem.

A ideia da Porto é ter um superaplicativo que amplie o contato dos seus clientes com a companhia. “O cliente vai entrar na sua conta digital, ver a fatura do cartão crédito, e eu consigo oferecer ofertas exclusivas para ele”, disse Santos ao Estadão no mês passado.

Startups aliadas

O presidente da Porto Seguros, nova marca da vertical de seguros da Porto Seguro, Marcelo Picanço, afirmou nesta terça-feira que a companhia enxerga as insurtechs, ou startups da área de seguros, como aliadas, e não como inimigas. "Para nós, insurtechs são mais aliadas que concorrentes", disse. O executivo também destacou que a companhia segue valorizando suas parcerias com o Itaú e com os tradicionais corretores.

Picanço disse ainda que a companhia seguirá com foco na inclusão, no mercado de seguros, de clientes que ainda não possuem apólices. Ele ressaltou que apenas um terço da frota de automóveis do País tem seguros, e entre as residências, somente 15% estão cobertas. Não à toa, para trazer os clientes para o mercado dos seguros, a Porto tem buscado ampliar a oferta dentro do segmento e com tíquetes mais baixos, como o seguro para animais de estimação.

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