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Portugal enfrenta difícil escolha política na venda da EDP

O resultado da venda por Portugal da fatia na Energias da Portugal (EDP), a maior companhia daquele país, pode se tornar uma decisão política entre as ofertantes da China, Alemanha e do Brasil.

ANDREI KHALI, REUTERS

16 de dezembro de 2011 | 16h17

Considerando a natureza da decisão política do negócio, fontes próximas do processo disseram que a agência que gere as participações empresariais do governo português, Parpública, não declarou uma preferência depois de avaliar as ofertas, deixando a decisão para o governo, possivelmente durante a próxima reunião de gabinete na quinta-feira (22).

A venda da fatia de 21,35 por cento é realizada dentro dos termos do plano de resgate de 78 bilhões de euros (101 bilhões de dólares) concedido pela União Europeia e pelo Fundo Monetário Internacional (FMI).

"Eu diria que é uma corrida bem aberta e que tem um forte elemento político, com um apoio muito forte de Berlim para a E.ON", disse Kash Burchett, analista do setor elétrico da empresa de consultoria em Londres IHS-CERA.

Analistas acreditam que a escolha da E.ON também serviria como um sinal de união em relação a à crise que atinge a zona do euro, o que poderia superar os benefícios de uma proposta mais lucrativa dos chineses.

"A situação para o governo português é a seguinte: existe um proponente que significa em mais dinheiro, mas também se trata de estabilizar a zona do euro e está claro que apenas um player é levado em consideração (quando se considera a estabilização da zona do euro)", disse Helmut Edelmann, diretor de setor elétrico na Ernst & Young.

"Claro que você poderia apenas comparar as ofertas, mas isso não diz nada sobre as implicações estratégicas e políticas".

Outro analista de um grande banco internacional, que não quis ter seu nome mencionado, disse que espera que a E.ON fique com a fatia na EDP.

"Os alemães querem a E.ON envolvida na EDP e, ao mesmo tempo, eles querem impedir os chineses de assumir um papel de gestão em uma grande empresa elétrica europeia. O lobby político deve estar acontecendo bem forte neste momento", disse.

"Portugal tem uma decisão realmente difícil, com três belos cenários, todos combinando preços bem razoáveis e associados a investimentos na economia. Eu acredito que a E.ON esteja em vantagem, mas ainda está bem em aberto".

A briga entre os interesses alemães e chineses fortalece a oferta brasileira pela estatal Eletrobras, apesar de a mídia portuguesa ter reportado que o conselho da EDP prefere a E.ON ou Three Gorges como compradoras.

Eletrobras teria oferecido cerca de 2,5 bilhões de euros, segundo a imprensa portuguesa.

Outra oferta, da Cemig, controlada pelo estado de Minas Gerais, seria muito pequena e claramente fora da disputa, mas serviu para demonstrar o forte interesse das brasileiras da venda, disseram analistas.

Outro fator impulsionando a oferta da Eletrobras seriam os negócios de geração e distribuição da EDP no Brasil, já que a Eletrobras poderia ajudar na expansão da EDP na maior economia da América do Sul.

Mas também são os ativos brasileiros, assim como os consideravelmente grandes parques eólicos que a EDP tem na Europa e nos Estados Unidos, que fazem a EDP ser atrativa para a E.ON, que planeja gastar 7 bilhões de euros para expandir o seu negócio de energias renováveis nos próximos cinco anos para se ajustar ao fim na energia nuclear na Alemanha.

"E.ON está buscando quebrar a rotina do moribundo mercado europeu e se focar em crescer em mercados emergentes e energia renovável. A proposta da E.ON de realocar o seu escritório de renováveis em Londres é uma importante carta nesse jogo", disse Burchett da IHS-CERA.

(Reportagem adicional de Christoph Steitz)

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