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Portugal prepara privatização de empresas públicas

Segundo o ministro da Economia português, governo vai publicar regras para orientar companhias que queiram adquirir parte da EDP (Energias de Portugal)

Anne Warth, da Agência Estado,

19 de setembro de 2011 | 14h41

Em meio à crise europeia e à expectativa de que a recessão seja mais intensa em Portugal, o ministro de Economia e do Emprego do país, Álvaro Santos Pereira, disse nesta segunda-feira, 19, que o governo pretende oferecer à iniciativa privada participações em diversas empresas públicas. Nos próximos dias, segundo ele, o governo português deve publicar as regras para orientar as empresas interessadas em adquirir 20,9% da EDP (Energias de Portugal).

Até o fim deste ano, o país também deve privatizar 51% da REN (Rede Elétrica Nacional) e 7% da Galp. Em 2012, o governo deve privatizar 100% da TAP (Transportes Aéreos Portugueses), além de vender participações - os porcentuais ainda não foram definidos - na AdP (Águas de Portugal ), ANA (Aeroportos de Portugal) e CTT (Correios de Portugal). O ministro citou ainda que rodovias e estaleiros também devem entrar no programa.

"É verdade que existe uma redução do crescimento econômico mundial. É verdade que na Europa existe uma crise importante, mas também achamos que, nas crises, existem grandes oportunidades", afirmou, após se reunir com o presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Paulo Skaf, e empresários brasileiros. "As reformas e a abertura que nós temos ao mundo e principalmente ao Brasil fazem com que se torne bastante atrativo para as empresas brasileiras investir em Portugal." Segundo ele, não haverá nenhuma restrição ao investimento estrangeiro. "Todas as dificuldades que existiam no passado em burocracia serão grandemente reduzidas", afirmou.

Pereira disse que novas medidas de austeridade econômica devem ser implementadas pelo governo português nas próximas semanas. Entre elas, estão previstas reformas nas áreas trabalhista, capital de risco e estruturação de empresas. A intenção, segundo ele, é dar celeridade aos investimentos. "Nós sabemos que, para o ano de 2012, está projetada uma recessão, mas entendemos que o importante é criar bases para que Portugal possa crescer o mais rapidamente possível", afirmou. "Nós entendemos que, a partir de 2013, Portugal vai crescer. Todas as reformas que o governo está elaborando para as próximas semanas farão com que Portugal consiga sair da recessão o mais rapidamente possível."

Segundo o ministro, Portugal está empenhado em cumprir o acordo firmado com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Comissão Europeia e o Banco Central Europeu. "O governo português, desde o primeiro dia, está trabalhando com muito empenho para garantir que tudo que foi acordado seja cumprido. E estamos fazendo isso com muita seriedade", afirmou. Ele admitiu estar "muito preocupado" com a situação grega, mas não quis responder se acredita que a Grécia está fazendo tanto esforço quanto Portugal para cumprir os acordos e combater a crise. "Da nossa parte, podemos garantir que vamos fazer um cumprimento escrupuloso de todas as condições que nos forem colocadas."

Na avaliação dele, a crise não deve colocar em risco a zona do euro. "Estou confiante que Portugal e Europa saberão resolver seus problemas", afirmou. "A Europa, historicamente, sempre soube sair das crises aumentando o grau de cooperação que existe entre os vários países. Estou muito confiante de que, apesar das dificuldades atuais, a Europa saberá encontrar uma resposta para seus problemas. É vital para a Europa e para o mundo."

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