Portugal tem greve nacional contra medidas de austeridade

Mais de 470 voos internacionais para o país podem ser cancelados, enquanto 1 milhão de pessoas teve de ir ao trabalho sem os serviços normalizados de ônibus e trens

Gabriel Bueno, da Agência Estado,

24 de novembro de 2011 | 08h44

Uma greve nacional atinge os serviços públicos em Portugal nesta quinta-feira, em meio a um quadro de crescente descontentamento com medidas de austeridade impostas pelo governo em troca de um pacote de ajuda de 78 bilhões de euros. As escolas estavam fechadas, enquanto os serviços de emergência operavam em esquema de plantão.

Mais de 470 voos internacionais para o país podem ser cancelados, enquanto 1 milhão de pessoas teve de ir ao trabalho sem os serviços normalizados de ônibus e trens. Agências do correio, a coleta de lixo e outros serviços também estão bastante prejudicados, segundo autoridades.

Estações de metrô no centro de Lisboa estavam fechadas e os ônibus operavam parcialmente. Os congestionamentos eram maiores que os normais, pois muitas pessoas usavam seus carros para chegar ao trabalho.

"Até agora eu vi mais tráfego e pessoas que esperava", disse Celestino Almeida, de 65 anos, proprietário de uma pequena mercearia na área residencial no centro de Lisboa.

O primeiro-ministro Pedro Passos Coelho disse no fim da quarta-feira que, ainda que considerasse a mobilização "positiva", a solução para a crise exigirá mais trabalho. "O que é importante nesse momento para Portugal é encontrar um meio para sair da crise, que será uma consequência de nosso trabalho e prontidão para mudar o que precisamos", afirmou.

A greve é apenas a terceira na história democrática do país, mas sindicatos disseram que esperavam que ela fosse a maior. Um grande protesto nas ruas está marcado para mais tarde.

Os portugueses protestam contra medidas como cortes nos salários do funcionalismo público, aumento nos impostos e cortes nos serviços de educação e de saúde. As medidas foram elaboradas pela chamada troica - União Europeia, Fundo Monetário Internacional (FMI) e Banco Central Europeu (BCE) - para reduzir o déficit português.

As medidas duras, porém, pioram a recessão no país além do previsto. Mais cedo nesta semana, o ministro das Finanças revisou de novo para baixo a previsão para a economia no ano que vem, apontando agora que ela deve se contrair 3%, quando alguma semanas atrás a previsão era de contração de 2,8%. O desemprego deve bater em 13,6%.

Pesquisa recente de um dos principais jornais do país afirma que mais da metade dos consultados não confia no governo. Para 63%, o país não alcançará suas metas orçamentárias no ano que vem. O apoio ao governista Partido Social Democrata também caiu, como mostrou uma pesquisa do fim do mês passado.

"A grande questão é se esse descontentamento causará um verdadeiro distúrbio social", afirmou o cientista político António Costa Pinto. "No curto prazo, a resposta é não, mas o país está completamente dependente do que ocorre no exterior. E, no exterior, há uma grande dose de incerteza", notou. As informações são da Dow Jones e da Associated Press. 

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