Pratini diz que Brasil deve dar o troco à União Européia

Para o presidente da Abiec, governo brasileiro precisa ter uma posição mais agressiva

Ana Conceição, AE

13 de fevereiro de 2008 | 13h40

O presidente da Associação Brasileira da Indústria Exportadora de Carne (Abiec), Marcus Vinicius Pratini de Moraes, voltou a dizer hoje que o governo brasileiro precisa ter uma posição mais agressiva com relação à ameaça da União Européia à carne nacional. "É preciso dar o troco à Europa, que tem sido arrogante e tenta desqualificar a carne brasileira."

Pratini de Moraes fez a declaração hoje pela manhã, após a abertura da 12ª Showtec, evento de tecnologia agrícola realizado em Maracaju, município localizado no centro-oeste de Mato Grosso do Sul. De acordo com Pratini, a lista de 300 fazendas exigida pela UE é inaceitável, pois seriam necessárias entre 10 mil a 15 mil propriedades cadastradas, levando em conta uma programação anual de abate da ordem de 11 milhões de cabeças para atender ao mercado europeu. "É uma medida muito restritiva e sem fundamento", disse.

Segundo o presidente da Abiec, o mercado europeu vai enfrentar a falta de cortes como coxão mole, contrafilé e picanha, o que provocará um aumento no preço da carne bovina. Ele acredita que em questão de pouco de tempo haverá pressão tanto dos importadores quanto dos consumidores europeus pelo retorno da carne brasileira.

Ele acredita que em 90 dias, a UE e o Brasil devem chegar a um acordo sobre o número de propriedades. Até lá, a indústria deve ter uma perda de receita mensal de US$ 80 milhões. Pratini observa que esse valor pode não se efetivar, por conta da boa demanda do mercado doméstico. "O mercado interno está forte e podemos nem ter aumento no volume das exportações neste ano. Teremos sim, aumento de receita", disse ele. (A jornalista Ana Conceição viajou a Mato Grosso do Sul a convite dos organizadores da Showtec).

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