Preço do álcool afeta vendas da BR em outubro e novembro

A escalada do preço do álcool nos últimos meses afetou as vendas do produto no mercado brasileiro, informou a BR Dsitribuidora, braço de distribuição de combustíveis da Petrobras, depois de até setembro o combustível ter ajudado a melhorar os resultados da empresa.

REUTERS

01 de dezembro de 2009 | 12h52

A venda de álcool da subsidiária da Petrobras cresceu no terceiro trimestre 32,4 por cento ante o mesmo período de 2008. A média do mercado foi de 28,1 por cento, de acordo com a companhia.

Com a alta do preço do álcool nos últimos meses --em razão da quebra de safra de cana-de-açúcar na Índia, que aumentou a fabricação de açúcar em detrimento da produção do combustível--, o ritmo de crescimento de vendas de álcool arrefeceu nos meses de outubro e novembro.

"O álcool tem um volume crescente devido à maior produção de veículos flex e preços menores, o que provocou um deslocamento da gasolina", disse a jornalistas o presidente da BR, José de Lima Neto.

"Com a elevação do preço houve uma atenuada nesse crescimento nos meses de outubro e novembro. Há uma perda de fôlego", acrescentou o executivo, sem abrir os dados da companhia.

Segundo ele, a análise da empresa é que o preço do álcool deixou de ser competitivo em algumas regiões do país.

"Há um deslocamento que permite a gasolina ganhar algum espaço, mas a perda do álcool não é tão forte assim", amenizou o ex-secretário de Petróleo e Gás do Ministério de Minas e Energia.

O mercado nacional de combustíveis cresceu até setembro 0,7 por cento, e a previsão da BR é que a expansão esse ano fique bem aquém do observado em 2008, de aproximadamente 5 por cento. As vendas da empresa cresceram 8,6 por cento, incluindo os postos adquiridos da Ipiranga no final do ano passado.

"Será um resultado positivo, mas não há espaço para superar em 3 meses o resultado de 2008. Para um ano que começou com crise, nossa avaliação é que nosso resultado foi espetacular", declarou Lima Neto, ao destacar que o lucro até setembro 1,2 bilhão de reais é recorde na história da companhia.

Além do arrefecimento na expansão do mercado de álcool, a BR Distribuidora perdeu também com os efeitos da crise sobre a demanda industrial.

No terceiro trimestre, as vendas de combustíveis ciclo oto (álcool, gasolina, GNV e outros) avançou 4 por cento, mas as vendas de combustíveis demandados pela indústria (óleo dieesel, QAV, e óleo combustível) caiu 5,4 por cento.

"Praticamente vendemos sozinhos para as térmicas, e como houve uma redução na geração térmica no país fomos afetados. Também temos uma exposição muito grande na indústria, que foi afetada pela crise", avaliou Lima Neto, vendo perspectivas de recuperação no fim do ano.

"Espermos um quarto trimestre melhor que o do ano passado, que foi afetado pela crise e deu um susto", afirmou Lima Neto. Ele destacou que 2010 pode trazer um crescimento recorde de vendas de combustíveis.

A previsão é que o mercado cresça acima da expansão do Produto Interno Bruto (PIB), cuja previsão da área econômica é de 5 por cento.

"Em anos normais, há um alinhamento entre PIB e mercado de combustíveis. O mercado cresce em média de um a dois pontos acima do PIB", declarou.

"Vamos aguardar o quarto trimestre para fecharmos nossa projeções com mais realidade", disse, destacando que a entrada em operação do gasoduto Coari-Manaus, na região norte, vai afetar as venda de óleo combustível e diesel. O consumo local é de 200 mil litros mês, que serão substituídos por gás natural.

(Por Rodrigo Viga Gaier)

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