Preço do barril deve ficar perto de US$ 8

Decisão foi tomada quarta-feira em reunião para chegar a um consenso entre o governo e a Petrobrás em relação a detalhes da capitalização da estatal

Kelly Lima e Vinícius Pinheiro, de O Estado de S. Paulo,

25 de agosto de 2010 | 22h30

O preço das reservas de petróleo que serão cedidas à Petrobrás pela União no processo de capitalização ficará em torno de US$ 8 por barril. Essa é a definição que estava sendo acertada ontem em reunião no Planalto, que tinha como objetivo um consenso entre governo e Petrobrás em relação aos detalhes da operação.

As ações da companhia, que passaram o dia em baixa, tiveram alta repentina no sistema de negociação conhecido como ‘after market’ após o fim do pregão na Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), às 17 hs.

O encontro em Brasília se estendeu até a noite de quarta-feira, sem nenhuma divulgação oficial até o fechamento desta edição. Segundo fontes, porém, os participantes do encontro já haviam chegado a um preço no início da tarde. O valor não foi divulgado oficialmente, mas observadores próximos dizem que ficou entre US$ 8,20 e US$ 8,30 - valor intermediário entre as avaliações das certificadoras contratadas pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) e pela Petrobrás.

No início da noite, as ações da estatal dispararam na Bovespa, em um sinal de que os detalhes seriam anunciados em breve. Depois de fechar o pregão em queda de 0,23%, as ações da companhia subiram 1,76% no after market. As ações da estatal movimentaram R$ 23,1 milhões no after market, mais do que o triplo do movimento do dia anterior. Segundo fontes do mercado, quatro corretoras concentraram as operações: Tov, Solidez, Interfloat e Diferencial.

Se confirmado o valor de US$ 8 por barril, a Petrobrás terá de pagar US$ 40 bilhões à União por ter recebido 5 bilhões de barris, no processo conhecido como cessão onerosa. O governo deve usar parte desses recursos para comprar um número de ações equivalente aos 32,2% que detém na estatal. A sobra poderá ser usada para aquisição de participações minoritárias, caso os minoritários não comprem todas os papeis que serão colocados à sua disposição. A compra das sobras pela União é uma estratégia para ampliar a fatia do governo no capital da estatal.

Além do valor do barril, outro ponto que estava emperrando as negociações - conforme a Agência Estado já havia antecipado em matérias publicadas ao longo da semana passada - seria o volume das reservas contidas na área de Franco, que será utilizada para a cessão onerosa.

Por divergências na interpretação dos dados, as consultorias apresentaram laudos tão discrepantes quanto os valores do barril. De um lado, a Petrobrás diz que Franco possui apenas 2,5 bilhões de barris e, por esse motivo, precisaria utilizar na cessão onerosa a área de Libra, também perfurada pela ANP.

Aversão

Em meio às incertezas sobre o processo, os fundos de investimento brasileiros vêm reduzindo a exposição às ações da estatal. Apenas nas ações preferenciais (PN, sem direito a voto), os fundos reduziram a posição em quase 20% entre janeiro e abril deste ano (dado mais recente disponível).

No total, os fundos diminuíram em R$ 3,2 bilhões a exposição à empresa, de acordo com dados da Economática. No fim de abril, a carteira dos fundos com registro na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) contava com R$ 23 bilhões em papéis da companhia.

O movimento dos fundos brasileiros segue a mesma estratégia dos estrangeiros. Recentemente, o megainvestidor George Soros comunicou que se desfez de todas as ações que possuía na Petrobrás. O fundo de Soros, que tem um total de US$ 25 bilhões em recursos, tinha pouco mais de US$ 600 milhões em ADRs (recibos de ações negociados em Nova York) da estatal.

Para um executivo de fundo, que preferiu não ser identificado, o preço atual das ações é até atrativo, diante da queda de quase 28% no acumulado do ano. "Mas preferimos conhecer os detalhes da capitalização para, se for o caso, comprar com desconto na oferta."

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