Preço dos metais deve seguir em alta no próximo triênio

Para aproveitar atuais patamares, que são recorde histórico, Votorantim Industrial vai investir R$ 11,1 bilhões

Luciana Xavier, Milton da Rocha Filho e Natália Gomez, Agência Estado

16 de outubro de 2007 | 12h27

O presidente da Votorantim Industrial, José Roberto Ermírio de Moraes, estima que o mercado de metais deve continuar aquecido pelo menos durante os próximos dois ou três anos, o que manterá as cotações em patamares elevados. Moraes afirmou que os fundamentos estão positivos porque os estoques não têm subido. "Não existe iminência de uma recessão maior na economia mundial, a não ser crise nos Estados Unidos", avaliou durante entrevista ao Broadcast Ao Vivo.  Ouça entrevista com José Roberto Ermírio de Moraes     Para aproveitar os bons preços, que atingiram recordes históricos no último ano, a Votorantim, produtora de níquel, zinco e alumínio, vai investir R$ 11,1 bilhões no setor de metais nos próximos três anos. O plano foi anunciado ao governo no mês passado e inclui aportes na área de níquel, zinco, alumínio e aço. De acordo com o executivo, a Europa e os Estados Unidos continuarão a ser o foco da empresa no mercado internacional. "Hoje estes mercados representam 50% das exportações e, se o ritmo atual de crescimento permanecer firme, esta proporção será mantida", afirmou.  Nos últimos anos, o mercado externo foi o maior propulsor dos negócios da companhia, que ampliou suas exportações de US$ 1 bilhão para US$ 2,5 bilhões nos últimos dois anos. "As exportações têm sido o grande facilitador, com preço alto e demanda aquecida", contou. Segundo ele, o faturamento da companhia está crescendo a uma taxa anual de 20%. A possibilidade de abrir capital continua a ser estudada pela companhia, mas segue sem definições. "Seria um momento positivo para concretizar o projeto, mas nenhuma decisão foi tomada. Vamos avaliar a necessidade de recursos, de redução de alavancagem (dívidas) e os novos projetos", comentou. Segundo Moraes, um eventual lançamento de ações motivou o grupo a adequar a contabilidade de todas as suas empresas para o padrão US GAAP.  Zinco Segundo Moraes, a Votorantim investirá US$ 500 milhões para ampliar sua produção de zinco de 400 mil toneladas por ano para 750 mil toneladas. "Nosso maior projeto em metais é na área de zinco, com a duplicação das operações no Peru e a redução de gargalos no Brasil", disse.  O segundo maior investimento será realizado no setor de aços longos, que ganhará uma nova usina em Resende (RJ) com capacidade para 1 milhão de toneladas. O investimento terá duas etapas, cada uma representando a capacidade de 500 mil toneladas. Com as operações da colombiana Acerías Paz del Rio, adquirida pela Votorantim este ano, a capacidade de aços longos chegará a 2,7 milhões de toneladas, muito acima da capacidade atual de quase 600 mil toneladas.  A usina de aços longos da empresa em Barra Mansa (RJ) atingirá sua capacidade máxima de produção no final deste ano. Segundo Moraes, não havia condição de expansão nesta unidade, o que motivou o investimento em outra usina. "Também fomos incentivados pela expectativa de crescimento de 4% a 5% na economia e pelo aumento dos negócios na construção civil", afirmou. Hoje, a Votorantim possui uma fatia de 10% no mercado, que é dominado pela Gerdau e pela Belgo (controlada pela Arcelor Mittal).  Em um primeiro momento, a produção de longos será parcialmente exportada porque o mercado interno levará algum tempo para absorver a maior oferta, mas o foco do investimento é no mercado doméstico. "Pretendemos seguir crescendo no Sudeste, principal mercado da empresa, e se possível vamos aumentar nossa participação", disse. No setor de níquel, a Votorantim pretende produzir 50 mil toneladas a mais por ano, a partir da capacidade atual de 27 mil toneladas.  Upgrade Para Moraes, o Brasil poderá obter nota de classificação de risco por parte das agências internacionais no ano que vem. A Votorantim já é grau de investimento desde 2006, quando obteve a nota pela agência Fitch Ratings e hoje é a única empresa brasileira de capital fechado a ter três classificações das principais agências de classificação.  "Os fundamentos da economia vêm evoluindo de maneira positiva - na relação dívida/PIB, no superávit primário - e levam a crer que o Brasil será em breve grau de investimento. E o mercado, em parte, já precifica essa condição.", disse o executivo.  Moraes disse ainda acreditar que o dólar deve seguir desvalorizado e que isso é uma preocupação para a indústria. "Não há solução única (para a queda do dólar) e no longo prazo esse assunto deverá ser retomado (pelo governo). Eu acredito que o dólar deva continuar sendo uma ameaça para a indústria local, o viés é de baixa e isso preocupa", comentou.  Segundo ele, é difícil dizer qual seria o patamar adequado da moeda americana. "A gente ficou muito preocupado quando ele chegou a R$ 2,20. Ele passou essa barreira, vai passar a de R$ 1,80 e a gente não conhece onde é o limite inferior do dólar", admitiu.

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