Preço regulado de combustível no Brasil ajuda economia

A alta dos preços do petróleo e do etanol limitará o crescimento econômico mundial nesta década, e o controle das cotações dos combustíveis no Brasil é visto como um atenuante dos impactos desses maiores custos para o PIB brasileiro, apontou nesta quarta-feira um estudo da Ernst & Young Terco e FGV Projetos.

RODRIGO VIGA GAIER, REUTERS

21 de setembro de 2011 | 15h57

Os preços globais do petróleo no mundo subiriam em média 43,1 por cento até 2020, enquanto as cotações do etanol no mundo devem ter alta de 125,9 por cento no mesmo período, segundo a análise das entidades.

Estimativas feitas pelo estudo apontam que o preço do petróleo (WTI) poderia oscilar até 2020 entre 35 e 60 por cento, o equivalente a uma mínima de 120 dólares e a uma máxima de 134 doláres por barril, tendo como base o patamar de 89 dólares em dezembro de 2010.

De acordo com as instituições, a demanda por combustíveis vai crescer muito mais rápido do que a oferta, o que elevará os preços nesta década.

Pela avaliação da Ernst & Young Terco e FGV Projetos, o controle de preços dos derivados de petróleo exercido pelo Brasil é um fator que amortece o impacto da alta global dos combustíveis na economia.

"O fato de a Petrobras exercer um controle sobre os preços da gasolina e etanol praticados diretamente ao consumidor faz com que o Brasil usufrua de uma condição privilegiada em relação ao resto do mundo, no que diz respeito ao impacto do setor de combustível sobre o PIB nacional", afirmou Elizabeth Ramos, sócia para o setor de petróleo da Ernst & Young Terco.

Se a política de controle de preços fosse mantida, de acordo com o estudo, o litro da gasolina no Brasil custaria em média 2,53 reais em 2020.

Se o regime for alterado e o preço do combustível flutuar ao sabor da cotação do barril de petróleo, o litro poderia custar 3,53 reais em 2020, uma alta de 41 por cento frente ao preço médio atual de 2,50 reais.

"Mesmo o país (o Brasil) não sendo tão afetado por esse movimento, os preços em trajetória ascendente serão fator limitante para o desenvolvimento de praticamente todas as economias, traduzindo-se em um hiato de 0,52 ponto percentual em relação ao crescimento potencial do PIB mundial a cada ano, até o final da década", afirmou o estudo.

No caso do Brasil, o impacto sobre o PIB potencial do país seria de 0,42 ponto percentual.

"Isso se deve não só pela política de controle de preços, mas também pela maior diversificação de fontes de energia que o país tem, como etanol e outros", disse a Reuters um dos elaboradores do estudo Rafael Kaufmann, da FGV.

OUTRO LADO

Os custos na cadeia de petróleo estão cada vez mais altos e colocam pressão adicional sobre a formação de preços, segundo os coordenadores do estudo, que destacaram que o aluguel de equipamentos está mais caro, e as novas descobertas são em águas profundas, cujo o custo de extração é mais elevado.

"Haverá uma pressão com natureza na oferta também", disse Otávio Mielnik, da FGV/Projetos.

Nesse ambiente, os representantes da FGV e da Ernst & Young apontaram ainda que a manutenção do regime de controle de preços no Brasil pode limitar investimentos e exaurir mais rapidamente as reservas do país.

"Isso afeta o caixa das empresas e a estratégia de investimentos. O preço mais baixo estimula um consumo maior. Toda essa conta será paga lá na frente", disse Otávio Mielnik. "Mesmo assim, há retorno para as empresas que investem aqui", ponderou Elizabeth Ramos.

INVESTIMENTOS NO SETOR

Com as descobertas no pré-sal, o Brasil será destino de um volume de investimentos de 250 bilhões de dólares em Exploração e Produção (E&P) de petróleo até 2020, estimou o estudo.

Porém, a expansão da produção do pré-sal será apenas parcialmente revertida em exportações, alcançando até 2020 cerca de 600 mil barris/dia, segundo o levantamento.

Esse volume representará receitas de 27,9 bilhões de dólares ao ano, 73 por cento a mais em relação a 2010.

Levando-se em conta o crescimento do PIB do país ao longo da década passada, as exportações geradas pelo pré-sal terão um impacto positivo de 0,4 ponto percentual para o PIB brasileiro em 2020.

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