Preços de imóveis nos EUA continuarão a cair, diz economista do FMI

Em análise de 'bolhas' desde 1970, quedas sustentadas dos preços duraram em média 18 trimestres

Renato Martins, da Agência Estado,

27 de maio de 2010 | 18h50

O economista do FMI Prakash Loungani afirmou que os preços dos imóveis residenciais nos EUA vão continuar a cair por algum tempo. Durante almoço no Clube Nacional dos Economistas de Washington, Loungani apresentou sua análise das "bolhas" de preços de imóveis nos países da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) desde 1970.

Segundo o economista, as quedas sustentadas dos preços de imóveis residenciais duraram em média 18 trimestres, com os preços caindo 22% em relação a suas máximas. Em contraste, a baixa em andamento nos EUA durou até agora somente 14 trimestres, durante os quais os preços caíram apenas 15%.

Loungani acrescentou que a "bolha" mais recente foi muito maior do que as anteriores, o que permite prever uma queda ainda mais brutal. Os preços subiram 113% ao longo de 41 trimestres, mais do que a elevação média de 39% ao longo de 39 trimestres verificada nas ocasiões anteriores. "Muito ajuste já aconteceu nos preços dos imóveis residenciais, e não devemos descontar isso, Mas é verdade que não deveríamos declarar vitória cedo demais. Acabamos de ter um novo choque, com o que está acontecendo na Europa", afirmou.

Outra evidência de que os preços dos imóveis ainda estão inflados nos países da OCDE, disse o economista, é o descompasso entre os preços, de um lado, e os aluguéis e a renda, de outro, na comparação entre os dados de 2009 e as médias do período entre 1970 e 2000. Ele argumentou que a renda e os aluguéis vão contribuir para puxar para baixo os preços dos imóveis, mas somente no longo prazo. Segundo Loungani, as relações preço/aluguel e preço/renda estavam no ano passado muito acima das médias históricas em todos os países da OCDE, exceto Japão, Alemanha e Suíça. Os maiores descompassos na relação preço/renda estavam na Austrália, na Nova Zelândia, na Bélgica e na Holanda; as maiores disparidades na relação preço/aluguel estavam no Canadá, na Suécia, na Noruega e na Austrália.

Loungani também disse que sua análise dos preços e dos aluguéis nas regiões metropolitanas dos EUA sugere que muitos mercados na Costa Oeste e em partes do Nordeste poderão ter quedas adicionais de 30% a 40% nos preços dos imóveis residenciais. As informações são da Dow Jones.

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