Preços de serviços pressionam IPCA desde 2006, avalia Ipea

Nos últimos 12 meses até junho último, a inflação neste grupo foi de 8,7%, um reflexo do crescimento econômico e do fortalecimento do mercado interno, segundo instituto

Wladimir D'Andrade, da Agência Estado,

21 de julho de 2011 | 15h48

Desde 2006, a inflação do grupo Serviços supera os 4,5% do centro da meta de inflação medida pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Mas a dor de cabeça para o Banco Central se tornou mais intensa a partir de 2010, quando o segmento apresentou variação de 7,6%, ante alta de 5,5% nos dois anos anteriores. Nos últimos 12 meses até junho último, a inflação neste grupo foi ainda maior, 8,7% - reflexo do crescimento econômico e do fortalecimento do mercado interno, de acordo com o relatório "A Dinâmica da Inflação Brasileira: Considerações a Partir da Desagregação do IPCA", divulgado hoje (21) pelo Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea).

O Ipea atribui o aumento constante nos serviços às políticas de redistribuição de renda e combate à pobreza e de expansão do crédito implementadas pelo governo federal. Os preços desse segmento "são particularmente sensíveis ao salário mínimo e à redução do desemprego", destaca o relatório. "O forte aumento dos preços dos serviços decorre de mudanças estruturais na economia brasileira relacionadas à melhora da distribuição de renda e redução do desemprego, mas se torna mais intenso nos anos em que a economia está aquecida", avalia o Ipea.

O relatório mostra dois períodos distintos da dinâmica inflacionária - antes e depois de 2006. Entre 2000 e 2005, o item que mais pressionava a inflação era o de preços monitorados - os regulados por contrato, como transporte público, combustíveis e telefonia. Em todos aqueles anos, os preços monitorados tiveram reajustes acima da meta da inflação. A perda de peso na inflação se deve, segundo o Ipea, a mudanças de indexadores e aprimoramento das regras de repasse de custos ocorridos em 2005 e 2006, que levaram o grupo a permanecer abaixo do centro da meta (exceto em 2009).

O Índice de Pressão sobre a Meta de Inflação (IPMI), que mede a contribuição de cada bem ou serviço para o desvio do IPCA em relação ao centro da meta, mostra que a pressão inflacionária dos serviços começou a se intensificar em 2008. À época, o IPMI pulou de 0,15 ponto porcentual em 2007 para 0,43 ponto porcentual. E não voltou mais aos níveis antigos: 0,41 ponto porcentual em 2009, 0,72 em 2010 e 1,01 nos 12 meses acumulados até junho de 2011.

O Ipea destaca, dentro desse grupo, os serviços pessoais - como empregado doméstico e cabeleireiro -, que apresentaram variação próxima a 7,5% em 2007 e 2009 e ao redor de 9,5% em 2008 e 2010, anos de crescimento econômico mais intenso. "Para a maioria dos outros componentes dos serviços e para o grupo como um todo, esse aquecimento aparece com mais força no ano de 2010", diz o relatório.

Junto com os serviços, a inflação de 2007 para cá foi puxada pelo grupo Alimentos e Bebidas. Com exceção de 2009 (período de reflexos da crise financeira internacional), o segmento teve variação de preços acima de 10% ao ano. Em junho de 2011, no acumulado de 12 meses, a inflação nesse grupo chegou a 8,9%.

"Os efeitos da alta internacional dos preços de commodities sobre os alimentos comercializáveis nos últimos anos, com a exceção de 2009, e do fortalecimento do mercado interno e aquecimento da economia sobre o grupo como um todo têm levado as taxas de variação dos preços de alimentos e bebidas a níveis muito acima da meta de inflação", afirma o documento.

O Ipea prevê, no entanto, um cenário pessimista para os preços monitorados neste ano, resultado da influência de combustíveis, transporte público e taxas como as de água e esgoto e de emplacamento e licença de veículos. "O IPMI do grupo de preços monitorados era igual a -0,38 em dezembro e foi a 0,43 em junho de 2011, aumento de 0,81 ponto", destaca o Ipea.

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