Prejuízo com embargo chinês à soja foi de US$ 747 milhões, diz Anec

Brasília, 3 - Os exportadores brasileiros de soja tiveram prejuízo de US$ 747 milhões com o embargo imposto pela China aos grãos fornecidos por 23 tradings. O embargo, que provocou uma crise comercial entre os dois países, durou pouco mais de um mês e teve fim no dia 21 de junho. O cálculo final dos prejuízos foi divulgado há pouco pelo diretor presidente da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec), Sérgio Mendes. Ele participou, nesta sexta-feira, de encontro técnico com o ministro de Cereais da China, Nie Zenbang, em Brasília. Para chegar ao montante, a Anec considerou três fatores: queda dos preços internacionais, redução dos embarques e gastos extras com transporte. A primeira análise indica o recuo dos preços internacionais, na faixa de US$ 60 por tonelada, valor que considera a diferença da cotação na bolsa de Chicago e no Porto de Paranaguá, principal ponto de escoamento de grãos do País. Até 15 de maio - o embargo às primeiras empresas brasileiras aconteceu no dia 12 de maio - os exportadores tinham, para todos os destinos, compromissos de entrega para 17 milhões de toneladas de soja. Do total de 17 milhões de toneladas, 8 milhões já tinham sido entregues ou estavam sendo transportadas para países compradores. Outras 9 milhões de toneladas ainda estavam estocadas no Brasil. Das 9 milhões de toneladas, 4 milhões já tinham preço de venda fixado. As outras 5 milhões de toneladas eram a fixar. "Considerando as 5 milhões de toneladas e diferença de preço de US$ 60 por tonelada, chegamos ao primeiro valor de US$ 300 milhões. Esse foi o prejuízo via preço", afirmou Mendes. A segunda avaliação, considera o volume físico que deixou de ser embarcado com a crise, 1,5 milhão de toneladas. Mendes calculou que o prejuízo, nesse caso, chega a US$ 420 milhões, resultado do preço médio da soja de US$ 280 por tonelada no mercado internacional. O terceiro cálculo considera os gastos adicionais para deslocar carregamentos de soja rejeitados pela China para outros mercado, principalmente para Europa. Seis navios foram recusados por Pequim e redirecionados, ao custo individual de US$ 1,8 milhão. No total, foram US$ 27 milhões nesse último grupo. (segue)

Agencia Estado,

03 de setembro de 2004 | 13h59

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