Fábio Motta|Estadão
Fábio Motta|Estadão

Prejuízo da Oi aumenta 70 vezes e vai a R$ 1,4 bilhão

Perda da operadora em recuperação judicial foi registrada no terceiro trimestre de 2018

Circe Bonatelli, O Estado de S.Paulo

14 de novembro de 2018 | 16h32

A operadora Oi, em recuperação judicial, fechou o terceiro trimestre de 2018 com prejuízo líquido consolidado, atribuído aos acionistas controladores, de R$ 1,336 bilhão. A perda é 70 vezes maior do que a registrada no mesmo trimestre de 2017, quando a companhia teve prejuízo de R$ 19 milhões.

O Ebitda (lucro antes dos juros, impostos, depreciação e amortização) de rotina atingiu R$ 1,459 bilhão, queda de 9,1% na comparação anual. A margem do Ebitda de rotina encolheu 0,3 ponto porcentual, para 26,6%.

A receita líquida foi a R$ 5,481 bilhões no terceiro trimestre, baixa de 8,1%.

A maior parte do salto no prejuízo da Oi está relacionada à oscilação cambial. A operadora apresentou um resultado financeiro líquido consolidado negativo de R$ 1,455 bilhão no terceiro trimestre de 2018, ante um resultado positivo de R$ 17 milhões no mesmo período de 2017.

Segundo explicou a companhia, há cerca de um ano o real havia apresentado valorização frente ao dólar e ao euro, impactando positivamente as dívidas denominadas nas duas moedas. Como consequência, a tele apurou uma receita financeira de R$ 857 milhões no terceiro trimestre de 2017, contribuindo para melhorar o balanço daquele período, o que não aconteceu neste ano.

Clientes

A Oi fechou o terceiro trimestre de 2018 com 58,832 milhões de clientes no Brasil, uma perda de 239 mil assinantes, ou redução de 6,5% em comparação com o terceiro trimestre de 2017.

Houve diminuição de 5,9% entre os clientes do segmento residencial, para 15,173 milhões, e recuo de 8,0% na telefonia móvel, para 36,454 milhões. Já o número de contas corporativas (B2B) teve leve alta de 0,3%, para 6,565 milhões.

Como consequência, a receita líquida de serviços da Oi diminuiu 8,2%, para R$ 5,382 bilhões na mesma base de comparação.

O faturamento do setor residencial baixou 10,2%, para R$ 2,084 bilhões; telefonia móvel caiu 6,3%, para R$ 1,765 bilhão; e contas corporativas (B2B) encolheu 7,6%, para R$ 1,474 bilhão.

Os três segmentos vêm sendo impactados pela queda do tráfego de voz e pela queda das receitas de interconexão, devido ao corte das tarifas reguladas de interconexão (VU-M, TU-RL e TU-RIU) e de ligações fixo-móvel (VC). Por outro lado, a receita de dados do segmento de mobilidade pessoal e a receita de tv paga do residencial seguem crescendo, compensando parcialmente os impactos da queda de voz, ponderou a companhia.

No segmento residencial, a Oi teve queda de 9,4% no faturamento com telefonia fixa e queda de 3,7% com banda larga. Já a receita com TV por assinatura cresceu 9,0%. Desse modo, a receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês) do segmento residencial baixou 1,2%, para R$ 80,2.

No segmento de telefonia, a Oi perdeu 11,3% dos clientes pré-pagos, mas expandiu em 7,8% a base de clientes pós-pagos. O Arpu de telefonia móvel permaneceu estável em R$ 16,1. Segundo a companhia, a taxa de desemprego do País ainda em patamar elevado tem efeito direto sobre os clientes pré-pagos, afetando o total de recargas.

Apesar da perda de clientes ter afetado o faturamento com serviços, vale lembrar também que a operadora praticou um reajuste de tarifas em julho de 2017, o que impulsionou a receita naquele período, tornando mais dura a base de comparação.

Investimentos

Os investimentos (capex) da Oi consolidados  totalizaram R$ 1,526 bilhão no terceiro trimestre de 2018, crescimento de 13,4% em relação ao mesmo período de 2017. No acumulado de janeiro a setembro de 2018, os investimentos somaram R$ 4,021 bilhões, expansão de 4,5% em relação aos mesmos meses do ano passado.

Segundo a tele, o avanço reflete o início da aceleração de investimentos previsto no plano de recuperação judicial da companhia, aprovado em assembleia de credores.

"Este novo ciclo de investimentos visa a proteger a base de clientes, melhorar a qualidade de serviços e aumentar a participação de mercado capturando oportunidades de crescimento", salientou a Oi.

Para isso, a companhia afirmou que irá focar o investimento no acesso fixo e móvel, aumentando a oferta de banda larga de alta velocidade e cobertura móvel 4G e 4,5G nos clusters e cidades que foram priorizadas conforme o plano. 

Dívida líquida

A dívida líquida da Oi no fim de setembro de 2018 somava R$ 10,976 bilhões, recuo de 75,1% frente ao mesmo mês de 2017. O enxugamento é resultado da aprovação do plano de recuperação judicial, com corte da dívida bruta no período.

Já na comparação com o fim de junho de 2018, a dívida líquida cresceu 9,5%, em decorrência da desvalorização do real em relação ao dólar, impactando os passivos financeiros em moeda estrangeira.

No fim de setembro, a parcela da dívida em moeda estrangeira representava 54,2% da dívida a valor justo e o prazo médio consolidado da dívida encontrava-se em aproximadamente 12 anos.

O caixa disponível atingiu R$ 5,161 bilhões no fim do terceiro trimestre, baixa de 33,1% na comparação anual.

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